Invest

Caos tarifário dispara modo pânico; S&P 500 tem pior semana desde a covid e Ibovespa recua 3%

Dólar saltou 3,5% hoje em relação ao real; 'índice do medo’ de Wall Street retornou aos níveis da pandemia

O “índice do medo” disparou e as bolsas mundiais ampliaram suas perdas nesta sexta-feira, 4 (Leandro Fonseca/Exame)

O “índice do medo” disparou e as bolsas mundiais ampliaram suas perdas nesta sexta-feira, 4 (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 4 de abril de 2025 às 15h32.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 17h40.

A decisão da China de retaliar as tarifas dos Estados Unidos disparou o modo pânico nos mercados globais, com as bolsas derretendo mundo afora e o dólar disparando depois da queda de ontem, com os investidores correndo para ativos considerados mais seguros.

Os índices acionários americanos voltaram a cair fortemente, agravando a queda do pregão de ontem. A Nasdaq fechou em queda de 5,82%, enquanto o S&P 500 teve em queda de 5,70% enquanto o Dow Jones fechou em queda de 5,50%. O recuo semanal foi o pior desde a crise do covid, em março de 2020.

O VIX (Volatility Index, na sigla em inglês), considerado um termômetro do medo em Wall Street, disparava 48,87% pouco antes do fechamento, também retomando o nível da época da pandemia, de outubro de 2020.

“A retaliação da China é o pior cenário possível, mostra que a guerra comercial vai ser dura e vai ser arrastada e não vai haver negociação fácil”, diz o CIO de um grande multimercado local que zerou boa parte de suas posições no pregão de hoje diante da disparada da volatilidade.

O Brasil, que tinha passado mais incólume ao movimento de queda de ontem depois de ser um dos países mais taxados, não escapou da venda generalizada com aversão ao risco.

O Ibovespa fechou em queda de 2,96%, aos 127.256 pontos, amargando uma perda de 3,52% na semana. Na ponta das perdas, as principais quedas de hoje ficaram com as produtoras de commodities, diante da expectativa de menor crescimento mundial.

O tombo de mais de 5,7% nos preços do petróleo, que chegou a cair quase 10% no dia, puxou para baixo principalmente as petroleiras, que ficaram entre as maiores perdas do índice. Entre as únicas alta do dia, ficou o papel do Carrefour, que subiu 10,77% depois que o Carrefour França aumentou o preço oferecido para fechar o capital da companhia.

Mostrando a falta de direção dos mercados, o dólar terminou o pregão em forte alta diante das demais moedas — na contramão do movimento verificado ontem, antes da retaliação da China.

O DXY, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de outras divisas, avançou 1,07%. Num momento de selloff, as moedas emergentes são as que mais sofrem. O real teve forte desvalorização, com o dólar fechando com alta de 3,68%, para R$ 5,835 – mesmo patamar de um mês atrás.

O anúncio da China foi dado nas primeiras horas desta sexta no horário de Brasília, quando a maior parte dos mercados asiáticos já estava fechada.

Na Europa, os principais índices acionários também fecharam a sexta em queda, com o Stoxx 600 recuando 5%. O FTSE100, de Londres, caiu 4,86%; o DAX, de Frankfurt, caiu 4,79%, e o CAC 40, de Paris, caiu 4,26%.

Além de adotar a tarifa no mesmo nível aplicado pelos EUA esta semana, a China anunciou também que vai restringir as vendas de terras raras, minerais estratégicos usados na produção de eletrônicos.

Acompanhe tudo sobre:MoedasDólarCâmbiobolsas-de-valoresDonald Trump

Mais de Invest

Saúde (e cigarros!): As três ações nos EUA à prova de Trump que lideram o S&P 500

Wall Street perdeu US$ 9,8 trilhões desde a posse de Trump

CVM dá prazo até 7 de maio para Trustee apresentar pedido de OPA da Ambipar (AMBP3)

Cervejarias estimam que tarifas de Trump podem eliminar 100 mil empregos na Europa