Inteligência Artificial

Uma IA fechou um contrato pela primeira vez – e nenhum ser humano esteve envolvido

A Luminance, empresa inglesa de IA, foi a responsável por criar o programa que faz análise e ajuste autônomo de contratos sem intervenção humana

Eleanor Lightbody: egressa da Universidade de Cambridge e CEO da Luminance (Luminance/Reprodução)

Eleanor Lightbody: egressa da Universidade de Cambridge e CEO da Luminance (Luminance/Reprodução)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 7 de novembro de 2023 às 09h35.

Última atualização em 9 de novembro de 2023 às 07h54.

A Luminance, startup britânica de inteligência artificial (IA), avançou no mercado jurídico com um sistema capaz de realizar negociações de contratos de forma autônoma entre humanos e também entre IAs. Em resumo, a tecnologia, baseada em modelos de linguagem proprietários, faz a revisão e alteração automática em documentos contratuais, visando a otimização de processos legais.

O novo recurso da Luminance, denominado de Autopilot - nome bastante batido no setor de IA - tem como objetivo centralizar as tarefas burocráticas diárias que costumam ocupar o escasso tempo dos advogados. Sem as tarefas extenuantes, os profissionais do direito poderiam se dedicar a atividades que requerem pensamento crítico e criatividade.

A Luminance é uma jovem startup de Londres e foi fundada em 2016 por matemáticos da Universidade de Cambridge, tendo apoio de investidores como o fundo de capital de risco Invoke Capital.

Em uma entrevista concedida à CNBC, os representantes da empresa comandada por Eleanor Lightbody explicaram que a IA Autopilot é capaz de gerir desde a abertura de um contrato no Word até a negociação de termos e o encaminhamento para assinatura digital via DocuSign, tudo sob a gestão da IA. O sistema, além de treinado em aspectos legais, é projetado para compreender especificidades do negócio em questão.

Comparativamente, o Autopilot se mostra mais avançado que o Lumi, um chatbot semelhante ao ChatGPT da Luminance, que funciona como um assistente jurídico interativo.

Enquanto o Lumi auxilia na identificação de pontos críticos em contratos, o Autopilot tem capacidade de atuação independente, embora a intervenção humana continue disponível para revisão de todas as etapas e alterações realizadas pela IA.

Em um dos testes apresentados pela Luminance, as IA negociadoras deliberaram sobre um acordo de não divulgação (NDA), com a IA ajustando automaticamente os termos conforme as políticas da Luminance.

A equipe de analistas do banco de investimento britânico Peel Hunt destacou, em nota aos clientes, a expectativa de que as empresas priorizem modelos de linguagem específicos de seus domínios, que superariam em desempenho as plataformas de propósito geral.

Acompanhe tudo sobre:Inteligência artificialAdvogadosacordos-empresariais

Mais de Inteligência Artificial

Ex-engenheira de metaverso de Zuckerberg assume divisão de robôs da OpenAI

IA revoluciona a reprodução de uvas e aumenta eficiência em 400%

Manychat: aprenda a automatizar vendas no WhatsApp e Instagram com IA

O país vizinho que deixou o Brasil para trás na criação de empresas de inteligência artificial