A Viagem de Chihiro: filme é um dos clássicos da estética do Studio Ghibli (IMDB/Reprodução)
Repórter
Publicado em 2 de abril de 2025 às 06h40.
Última atualização em 2 de abril de 2025 às 06h42.
Nem mesmo a crítica direta de Hayao Miyazaki, o aclamado diretor e cofundador do Studio Ghibli, conseguiu frear o novo recurso do ChatGPT, da OpenAI.
Uma enxurrada de imagens criadas com inteligência artificial inspiradas na estética tradicional dos filmes japoneses fez a IA registrar seu maior número de usuários ativos em 2025. A demanda foi tão intensa que causou instabilidades na plataforma e levou a OpenAI a limitar temporariamente o uso do recurso de geração de imagens.
O recurso, liberado na nova versão do modelo GPT-4o, permite criar imagens com riqueza de detalhes e texturas que lembram as animações artesanais de clássicos como A Viagem de Chihiro e Meu Amigo Totoro. Com a viralização global da estética “Ghibli-like”, milhões de usuários publicaram suas criações em redes sociais, impulsionando a popularidade do chatbot.
Pela primeira vez em 2025, o ChatGPT superou a marca de 150 milhões de usuários ativos semanais, segundo dados da Similarweb. Em uma única hora, a plataforma somou 1 milhão de novos usuários, de acordo com Sam Altman, CEO da OpenAI — um ritmo de crescimento mais acelerado do que no lançamento original do serviço, há mais de dois anos.
O pico de tráfego, causado em grande parte pela criação de imagens no estilo dos estúdios japoneses, elevou também as receitas com assinaturas no aplicativo, além do número de downloads globais, conforme dados da SensorTower.
A empresa estima que as instalações cresceram 11%, os usuários ativos aumentaram 5% e o faturamento com compras no app subiu 6% em relação à semana anterior.
Esse crescimento, no entanto, trouxe desafios técnicos.
O serviço enfrentou uma série de instabilidades e interrupções parciais durante a semana. Em comunicado, a OpenAI afirmou que está atuando para ampliar a capacidade da plataforma e alertou que novos lançamentos podem atrasar devido ao aumento súbito de demanda.
O sucesso da ferramenta reacendeu discussões sobre a legalidade da reprodução de estilos artísticos por IA.
Advogados especializados em propriedade intelectual alertam que, embora as leis de direitos autorais protejam obras específicas, o estilo visual em si ainda não possui uma proteção clara na legislação. Isso torna nebulosa a fronteira entre homenagem e infração.
A OpenAI ainda não esclareceu quais imagens alimentaram o treinamento de seus modelos e se há implicações legais em simular estilos de estúdios como o Ghibli.
As críticas de Miyazaki à tecnologia também ressurgiram nas redes sociais após a explosão da tendência. Em uma entrevista de 2016, o cineasta japonês afirmou estar “profundamente enojado” ao ver imagens geradas por inteligência artificial, dizendo que jamais incorporaria esse tipo de tecnologia ao seu trabalho.
Enquanto o debate sobre os limites éticos e legais da IA continua, a criatividade dos usuários e o fascínio por estéticas nostálgicas seguem impulsionando o uso de ferramentas como o ChatGPT — mesmo que isso desafie os próprios criadores que inspiraram a tendência.