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Stablecoins e IA: a nova infraestrutura dos pagamentos inteligentes

Emerge a chamada agentic economy que, para funcionar, precisa de um meio de liquidação programável, estável e globalmente aceito. As stablecoins cumprem esse papel

Criptomoedas (Reprodução/Reprodução)

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Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 8 de novembro de 2025 às 10h00.

Última atualização em 13 de novembro de 2025 às 11h36.

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Por Renata Petrovic*

O futuro dos pagamentos não será apenas instantâneo, será inteligente, programável e global. Imagine um pequeno exportador brasileiro que recebe em dólares. Com o apoio de um agente de inteligência artificial (IA), ele poderá identificar o melhor momento para conversão cambial, ajustar seus fluxos de caixa em tempo real, acessar crédito sob medida e negociar condições de pagamento com precisão.

Essa realidade está em construção, impulsionada pela convergência entre stablecoins e IA. A eficiência e a escalabilidade da IA, somadas à liquidez das stablecoins, criam uma infraestrutura financeira comparável a das grandes instituições, acessível a empresas de qualquer porte e indivíduos.

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Stablecoins são ativos digitais com valor atrelado a moedas fiduciárias, como o dólar ou o real. Oferecem liquidação instantânea, disponibilidade 24/7 e estabilidade, características que os sistemas tradicionais de pagamentos internacionais ainda não conseguem entregar com a mesma eficiência. Quando combinadas à autonomia decisória da IA, essas tecnologias inauguram uma lógica financeira inédita, em que recursos são alocados em segundos e decisões são tomadas por agentes inteligentes.

Esse movimento já é concreto. De janeiro a maio de 2025, foram movimentados R$ 116,8 bilhões em Tether (USDT) no Brasil, um crescimento de 21,5% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Receita Federal.

As stablecoins lastreadas em real também avançam rapidamente: entre janeiro e setembro, o volume transacionado já equivale a US$ 1,75 bilhão, quase o dobro de todo o ano anterior. Esses números indicam o potencial no mercado brasileiro para combinar agentes digitais autônomos e dinheiro inteligente.

Nesse contexto, emerge a chamada agentic economy. Ou seja, um modelo em que agentes digitais, treinados por IA, tomam decisões e executam ações econômicas sem intervenção humana. Para funcionar, é essencial um meio de liquidação programável, estável e globalmente aceito.

As stablecoins cumprem esse papel ao viabilizar transações autônomas de ponta a ponta entre cliente e fornecedor. Por exemplo, é possível configurar um sistema em que o pagamento com stablecoins seja automaticamente liberado assim que o produto é entregue e registrado no estoque do cliente, garantindo sincronização precisa entre entrega e liquidação financeira.

O potencial desse modelo é reforçado por dados do Sebrae/PR, que mostram que instituições que adotaram IA na análise de crédito registraram aumento de até 25% nas aprovações e redução significativa de custos operacionais.
O avanço regulatório será determinante para dar legitimidade e escala a esse mercado.

A União Europeia já implementou o MiCA, estabelecendo critérios claros para emissão e supervisão de stablecoins. Nos Estados Unidos, o Genius Act cria um marco jurídico robusto, com exigências de reserva, auditoria e proteção ao consumidor. No Brasil, o Banco Central priorizou a agenda regulatória das stablecoins, com foco em proteção ao investidor, prevenção de ilícitos e fomento à inovação, alinhado às diretrizes internacionais.

Essa perspectiva de segurança jurídica, somada à alta adesão digital da população e ao histórico de inovação em pagamentos, como o Pix, cria um ambiente fértil para acelerar novas tecnologias financeiras, ampliar a inclusão e abrir espaço para soluções que unam agilidade, inteligência e segurança.

No entanto, à medida que o mercado escala, surgem riscos que não podem ser ignorados. Entre eles estão vulnerabilidades em carteiras digitais, incluindo a possibilidade de perda de chaves privadas, o que pode resultar na perda irreversível de ativos, falhas em contratos inteligentes (programas autoexecutáveis em blockchain que automatizam acordos financeiros) e o risco de concentração excessiva de depósitos em stablecoins, com potenciais impactos sobre a estabilidade do sistema financeiro.

Nesse cenário, equilibrar inovação e prudência torna-se essencial. É papel das instituições financeiras garantir que essas plataformas operem com segurança, sejam interoperáveis e estejam integradas a sistemas consolidados.

Segundo projeções do Citigroup, o mercado global de stablecoins pode atingir US$ 4,0 trilhões até 2030, impulsionado pela integração com IA, automação de pagamentos e inclusão financeira digital. O futuro dos pagamentos será inteligente, inclusivo e em tempo real. Cabe às instituições financeiras liderarem essa transformação com responsabilidade, garantindo que inovação e segurança caminhem juntas.

*Renata Petrovic é head de inovação do Bradesco e lidera o ecossistema inovabra. Anteriormente, foi head de marketing do HSBC Brasil e atuou em posições de liderança em marketing estratégico, gestão de marcas, pesquisa de mercado e inteligência competitiva em diferentes segmentos, incluindo automotivo, bens de consumo e consultoria própria. Com sete anos de experiência internacional nos EUA, Reino Unido e Alemanha, é graduada em administração de empresas com mestrado, ambos pela FGV-SP. Possui especializações e certificações em estratégia, transformação digital, inovação e governança de startups. Integra o conselho global da Qorus.

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