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Mudança no Drex não deve frear tokenização ou a adoção de blockchain no Brasil, dizem especialistas

Executivos de empresas no projeto piloto do Drex reagem a mudanças que descartam o uso de blockchain no lançamento do projeto, previsto para o fim de 2026

 (Reprodução/Reprodução)

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Mariana Maria Silva
Mariana Maria Silva

Editora do Future of Money

Publicado em 7 de agosto de 2025 às 18h35.

Última atualização em 8 de agosto de 2025 às 16h18.

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Nesta quinta-feira, 7, representantes do Banco Central anunciaram que o Drex, projeto que pretendia ser a infraestrutura digital das finanças do Brasil, passou por mudanças drásticas em seu projeto, descartando o uso da tecnologia de registro distribuído (DLT) em um primeiro momento para garantir seu lançamento até o fim de 2026.

A rede DLT escolhida para o Drex havia sido a Hyperledger Besu, aplicação dentro da Fundação Hyperledger. Marcos Sarres, CEO da GoLedger, revelou que a rede escolhida não atendia aos requisitos de privacidade do Drex, mas que já existem outras possibilidades, como a Hyperledger Fabric, que poderiam manter o uso de blockchain e melhor atender o projeto.

O piloto do Drex conta com diversos bancos, empresas de tecnologia e startups para testes da infraestrutura. Algumas delas, especializadas na tecnologia blockchain. O mercado reagiu com surpresa à notícia da mudança, mas segundo André Portilho, head de Digital Assets do BTG Pactual, a decisão foi “acertada” para a situação atual do projeto, que enfrentava dificuldades para garantir a privacidade e o uso da rede DLT.

Decisão foi “acertada” e "estratégica"

“A primeira coisa que é importante entender é que, dados os requisitos do Banco Central para o Drex e a tecnologia escolhida, não foi possível chegar em uma solução que entregasse ao mesmo tempo privacidade, escalabilidade e programabilidade com algum nível de descentralização”, disse André Portilho, head de Digital Assets do BTG Pactual, banco que faz parte do projeto piloto do Drex.

“Tivemos vários casos de uso que funcionam para uma fase piloto, mas que ainda não estão prontos e com maturidade suficiente da tecnologia para atingir o mercado. Sendo assim, a decisão do BC de fasear a implementação do projeto, com uma primeira parte mais simples, sem DLT e com um caso de uso específico e depois expandir, não só com outros DLTs, mas abrangendo mais casos de uso, é uma decisão pragmática e acertada, porque mantém o projeto e a visão de longo prazo, mas divide o projeto em fases, de forma com que se atinja os objetivos à medida que a tecnologia ganha maturidade”, acrescentou ele à EXAME.

“Nesse aspecto, as duas fases do piloto do Drex tiveram bastante sucesso em entender a tecnologia, avaliar o grau de maturidade que ela tem e principalmente, no que talvez seja o grande legado dessas duas fases do piloto do Drex, conseguiu trazer o mercado totalmente para dentro dessa tecnologia. Toda empresa que, querendo ou não, não tinha interesse em cripto, DLT e blockchain, passou a olhar para isso muito impulsionada pela movimentação do Drex, o que é uma coisa muito positiva para o mercado brasileiro”, concluiu.

“Esse faseamento é providencial para desbloquear uma operação relevante no nosso mercado, que se refere ao crédito; essa funcionalidade traz velocidade de informação sobre alienação de bens, que rapidamente os destravam e liberam recursos para comercialização, crédito e operações futuras que fomentem a economia", disse Wagner Martin, vice-presidente de relações institucionais na Veritran e mentor do LIFT Lab, do Banco Central.

É uma funcionalidade estratégica, que desonera a cadeia de crédito e garantias do mercado e permite maior acessibilidade a recursos para permitir fomento produtivo à economia. Vejo como uma estratégia em atender prioridades relevantes ao sistema financeiro nacional”, acrescentou Wagner à EXAME.

Futuro do mercado de tokenização após mudanças no Drex

As mudanças no Drex não vão frear o mercado de tokenização no Brasil. Pelo contrário, este mercado está bombando apesar do Drex. O Drex não está no ar, ele é apenas um estudo conceitual do Bacen, a coisa ainda está avançando. De fato, tinha muito caminho e oportunidade se o Drex viesse da mesma forma como ele estava sendo debatido até então. Tivemos uma virada rápida ontem e temos de acompanhar os impactos disso”, comentou João Canhada, fundador da Foxbit, corretora de criptomoedas que integra o projeto piloto do Drex.

“Mas o mercado de tokenização atual não está ancorado no que o Drex vai poder entregar no futuro. Ele vai se adaptar quando o Drex tiver disposição. Mas ele está avançando apesar do Drex. É totalmente ao contrário. Nada muda. Estamos aí, vamos trabalhar, vamos fazer acontecer. E os empreendedores estão totalmente dedicados em trazer inovação, fazer o RWA acontecer, desburocratizar, trazer oportunidades para o varejo e para outros negócios”, acrescentou.

Mudança foi “surpresa” para participantes do piloto

“É uma surpresa, mas a gente entende que as coisas, como já foram modificadas agora, podem ser modificadas novamente. O time do Bacen tem um corpo técnico muito bom e eu acho que não é o fim, é apenas um respiro dentro do meio do debate. Vamos avaliar o que o Banco Central vai poder elucidar para podermos continuar os seus trabalhos”, disse João Canhada, fundador da Foxbit.

Perspectivas futuras

"A decisão do Banco Central em não utilizar blockchain nesta fase do projeto Drex está relacionada a desafios técnicos específicos do escopo atual, especialmente na implementação de mecanismos de privacidade. Trata-se de uma questão pontual do projeto e não da tecnologia em si. Consideramos compreensível a escolha do Bacen por uma arquitetura alternativa que viabilize o lançamento do Drex dentro do prazo previsto, mantendo os princípios de segurança e eficiência", disse o Mercado Bitcoin em nota enviada à EXAME.

"Isso não altera o papel estratégico da tecnologia blockchain, que continua sendo uma infraestrutura robusta, transparente e segura para diversas aplicações no mercado financeiro, incluindo a tokenização de ativos reais seguirá utilizando essa tecnologia como base. Acreditamos que, com a evolução das soluções de privacidade, a adoção do blockchain deverá ser reavaliada em fases futuras do projeto. O MB | Mercado Bitcoin segue próximo ao Banco Central e continuará contribuindo ativamente para o desenvolvimento do Drex, como líder de um dos consórcios do projeto-piloto", acrescentou a nota.

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