IMC: KFC vai deter 42% da nova companhia (KFC/Divulgação)
Repórter Exame IN
Publicado em 26 de março de 2025 às 19h57.
Última atualização em 26 de março de 2025 às 21h35.
A International Meal Company (IMC), operadora do Frango Assado, do Viena e da Pizza Hut está vendendo o controle da operação da KFC no Brasil, marca que incorporou ao seu portfólio em 2019.
A companhia vai criar uma joint venture com a Kentucky Foods Chile, que opera mais de 550 lojas da KFC na América Latina. O novo sócio está pagando US$ 35 milhões por 58,3% da joint venture, enquanto a IMC manterá 41,7%, atribuindo um valuation de US$ 60 milhões à operação da marca de frango frito.
Considerando a cotação atual do dólar e o valor de fechamento do pregão desta quarta-feira, 26, a transação está saindo acima do valor de mercado da IMC.
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"O futuro da KFC no Brasil é muito promissor. Estamos trazendo um parceiro experiente para colaborar no crescimento da marca, melhorar a operação e ganhar mais escala", diz Alexandre Santoro, CEO da IMC ao INSIGHT. Além da criação da JV, a companhia anunciou hoje a saída do CFO, Rafael Bossolani, por razões pessoais. O executivo será substituído por Natalia Lacava, ex-Carrefour e atualmente CFO da Arklok Technology.
A operadora de marcas de alimentação fora de casa vem tentando se reorganizar. Saiu das operações como a do Panamá, em 2022, e está renovando algumas de suas marcas, como a Frango Assado.
Ao fim de 2024, reduziu o prejuízo de 7%, para R$ 76,3 milhões. O movimento foi ainda mais intenso no quarto trimestre, quando as perdas caíram 37%, para R$ 47,8 milhões.
A saída da operação de KFC do balanço para a separação em uma JV vai ser sentida no balanço em um primeiro momento, mas limitado -- a expectativa é de que a conclusão do negócio aconteça no início do terceiro trimestre. Hoje, a marca gera algo em torno de R$ 400 milhões em receita para o grupo, sendo um de seus carros-chefes. A receita da companhia cresceu apenas 2% em 2024, para R$ 2,2 bilhões, com efeito negativo das operações nos Estados Unidos.
Pelos cálculos de Santoro, o efeito no EBITDA operacional da IMC será de aproximadamente 10% a menos, devido à perda da receita gerada pela KFC, que será transferida para a JV. Entretanto, essa redução é compensada por uma série de fatores positivos, como a redução da dívida, a melhoria da estrutura de capital e a eliminação de investimentos futuros necessários para a expansão da KFC, que serão assumidos pelo novo sócio.
"Ao vendermos uma parte dessa operação, reduzimos nossa dívida e melhoramos nossa estrutura de capital, sem abrir mão do potencial de crescimento de KFC no Brasil", diz o executivo. Atualmente, a alavancagem financeira está em 2,4 vezes dívida líquida sobre Ebitda, o que deve ser reduzido com a entrada dos recursos da venda.
Quando a companhia começou a pensar em uma possível parceria, viu que a KFC estava num momento crucial de crescimento, saindo de 50 lojas para 230, e o perfil das lojas estava mudando.
"A decisão de buscar um parceiro estratégico também vinha de uma análise interna de potencial de crescimento de outros negócios da IMC, como o Frango Assado. Esse movimento é uma maneira de garantir o crescimento da KFC sem comprometer o investimento em outras marcas", diz Santoro, que comanda a IMC desde 2021.
Segundo o executivo
, o futuro da KFC no Brasil "é muito promissor". A IMC detém a licença de master franqueada da marca, pertencente à Yum! Brands, até 2032 e é justamente das franquias que vem maior parte da expansão atual."Estamos trazendo um parceiro experiente para colaborar no crescimento da marca, melhorar a operação e ganhar mais escala. A JV será muito focada e dedicada à marca KFC, o que vai potencializar o crescimento dela." A avaliação da IMC é de que grande parte potencial de crescimento da KFC no Brasil venha de novos modelos de loja, como as de rua e com drive-thru, que exigem mais investimento e também prometem maior retorno.
Enquanto isso, a IMC mantém o foco na melhora de rentabilidade. Fechou as lojas deficitários e diminuiu promoções nas operações do delivery, o que ajudou a ter ganho de margem: o EBITDA ajustado cresceu 14% em relação ao ano anterior, com a margem atingindo 13,6%, um avanço de 14,2 pontos percentuais.
"Para 2025, nosso foco continua sendo aumentar a rentabilidade, melhorar as margens e crescer de forma equilibrada, sem comprometer os investimentos futuros", afirma Santoro. O resultado líquido, no entanto, ainda deve levar mais tempo para voltar ao azul. "Provavelmente em 2025, ainda não vem lucro. Mas ele será consequência natural da melhora de fundamentos."