Faria: Estrutura separada para internacionalização para acessar outro pool de capital em relação ao Brasil (Leandro Fonseca/Exame)
Editora do EXAME IN
Publicado em 27 de março de 2025 às 15h51.
Um IPO da Global Eggs nos Estados Unidos é uma possibilidade – mas não necessariamente um caminho óbvio no curto prazo para que a empresa, fundada pelo brasileiro Ricardo Faria, siga com seu objetivo de consolidar a indústria de ovos nos Estados Unidos e na Europa.
A captação de US$ 300 milhões feita com o braço de private equity do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da Exame) dá fôlego para o crescimento e deixa a operação para depois. A alavancagem, mesmo com a transação, ainda é pequena frente ao EBITDA.
“É uma empresa que gera caixa e pode se financiar com players privados”, aponta uma fonte próxima ao empresário. “O perfil do Ricardo é fazer negócio com quem ele conhece.”
A Global Eggs já protocolou um pedido confidencial de IPO nos Estados Unidos. Ou seja, está deixando tudo pronto para eventualmente acessar o mercado. Mas trata-se de uma questão mais de oportunidade do que de necessidade.
Faria não estaria disposto a ir a mercado por qualquer valor e quer primeiro mostrar para os investidores o que é capaz de fazer com seu estilo de gestão. "Dá para integrar a operação e pensar em alguma oferta mais para o fim do segundo semestre, primeiro trimestre do próximo ano", outros interlocutor.
A compra da Hillandale Farms, anunciada hoje, é transformacional e alça a companhia ao patamar de segunda maior produtora global de ovos do mundo, atrás apenas da também americana Cal-Maine – avaliada em US$ 5 bilhões na Nasdaq.
De largada, o deal com o BTG já avaliou a Global Eggs em pouco menos de US$ 3 bilhões.
Líder na produção e comercialização de ovos na região Nordeste dos Estados Unidos, a Hillandale Farms era uma empresa familiar e o fundador de mais de 90 anos buscava a venda, na falta de uma sucessão.
O perfil de dono de Ricardo Faria frente às propostas de fundos de private equity conquistaram o patriarca Orland Bethel, aponta um assessor envolvido no processo.
A companhia americana já é altamente mecanizada e eficiente na produção, com algumas práticas que podem ser replicadas na operação europeia e na brasileira.
Por outro lado, ainda não tem uma oferta de produtos de alto valor agregado no seu portfólio. Além de conquistar uma plataforma para se expandir nos Estados Unidos, Faria quer trabalhar nessa segmentação, adicionando valor via ovos orgânicos e enriquecidos com vitaminas, por exemplo, que tem maior margem.
Esse tipo de approach também rende maiores múltiplos de avaliação em Bolsa: caso da pequena americana Vital Farms, que opera na Nasdaq com um múltiplo em relação ao lucro que é praticamente o dobro da Cal-Maine.
A ideia da Global Eggs continuar expandindo nos Estados Unidos e na Europa, onde já formou uma base na Espanha com a compra da Hevo, no ano passado, por 120 milhões de euros. No Velho Continente, o foco, neste momento são os mercados espanhol e português.
Numa grande reorganização societária que ainda está em curso. a Granja Faria – que opera no Brasil – vai se tornar uma subsidiária da Global Eggs. Por aqui, depois das dezenas de aquisições feitas ao longo da história da companhia, ainda há algum espaço para compras menores, ponderam pessoas próximas à companhia.
Mas o foco, como diz o nome, é o mercado externo. Com a compra de hoje, quase 80% da receita da Global Eggs vem de moeda forte. E esse número tende a aumentar.