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Bolsa: companhias investem quase R$ 11 bi em recompras de ações em agosto

Saldo líquido positivo de aquisições pelas empresas supera R$ 5 bilhões

B3: investidores institucionais e pessoas físicas foram os grandes vendedores do mês (Germano Lüders/Exame)

B3: investidores institucionais e pessoas físicas foram os grandes vendedores do mês (Germano Lüders/Exame)

GV

Graziella Valenti

Publicado em 29 de agosto de 2021 às 15h40.

Última atualização em 30 de agosto de 2021 às 13h04.

O mês de agosto termina nessa semana e até agora fez jus à fama. Os investidores institucionais tiraram R$ 8 bilhões da bolsa e as pessoas físicas, R$ 3,5 bilhões, no acumulado do mês até dia 26. É uma retirada de nada menos do que R$ 11,5 bilhões do mercado secundário. Os investidores brasileiros, de forma geral, estão desanimados com as perspectivas para os investimentos em ações.

Quem comprou? Os estrangeiros, num total líquido de R$ 6,5 bilhões, e, em segundo lugar, as próprias companhias, que adquiriram R$ 5,1 bilhões. Bastou a volatilidade aumentar e algumas ações sofrerem um pouco mais que os programas de recompra de ações que estavam aprovados foram colocados em prática, tirados da gaveta. Quem não tinha um, criou. No total, as empresas adquiriram R$ 10,7 bilhões em ações e venderam R$ 5,6 bilhões.

Na sexta-feira, 27, a Magazine Luiza anunciou a renovação do seu. No total, a empresa pode movimentar cerca de R$ 750 milhões com suas aquisições – equivalente a 1,4% do capital em circulação da empresa ou pouco mais de 0,6% do capital total.

De acordo com informações da B3, há mais de 75 programas de recompra abertos pelas companhias — de uma bolsa com pouco mais de 390 companhias abertas. Esses programas têm dois efeitos: criação de demanda compradora dos papéis, o que ajuda a dar sustenção aos preços no mercado e a sinalização, pela empresa, de nenhum outro investimento é tão interessante quanto suas próprias ações, diante das perspectivas de valorização.

Depois de ultrapassar os 130 mil pontos entre o fim de maio e o começo de junho, o Índice Bovespa perdeu sustentação e chegou a romper a barreira abaixo dos 120 mil pontos. A instabilidade reflete o cenário de grande ruído político e uma certa antecipação das tensões eleitorais de 2022.

Dados da Anbima apontam que os fundos de ações, até o dia 24 deste mês, acumulavam resgate de R$ 35 milhões. O dinheiro está, nesse momento, fluindo para renda fixa, num total superior a R$ 67 bilhões no mês, alcançando quase R$ 220 bilhões no ano. Em agosto, até mesmo os fundos multimercados mostram saques, em volume R$ 374 milhões.

No início de agosto, havia 3,8 milhões de contas de pessoas físicas abertas para operarem diretamente no pregão, donos de quase R$ 550 bilhões – o equivalente a 10% da capitalização de toda a bolsa, que está em R$ 5,5 trilhões ou ligeiramente acima de US$ 1 trilhão.

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