Redação Exame
Publicado em 27 de março de 2025 às 13h45.
O lançamento da TV Flamengo nesta semana, com nomes de peso como João Guilherme (Ex-Fox Sports, ESPN e Paramount) e a apresentadora Daniela Boaventura (ex-Fox Sports e ESPN), além da participação única do repórter Tino Marcos, ex-Globo, neste momento inicial, não devem ser os únicos atrativos neste momento. Com investimento pesado em contratação de profissionais e estrutura, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, vê esse movimento como um salto visando os próximos anos, começando, principalmente, pela negociação dos direitos de transmissão para fora do país.
Este movimento, no entanto, não deve acontecer em conjunto com os blocos da Libra e Liga Forte União, e sim de forma individual, com serviços por assinatura, pacotes e conteúdos on demand, se transformando em mais uma fonte rentável de receitas e negócios.
"O potencial de receita da nova Flamengo TV estará diretamente ligado à exclusividade do conteúdo e à capacidade de engajar sua audiência. Essa é uma tendência global: clubes explorando novos formatos além da transmissão dos jogos, criando narrativas próprias e monetizando a paixão dos torcedores de maneira inovadora", explica Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.
Para Reginaldo Diniz, CEO e sócio-fundador da End to End, empresa que conecta o torcedor à sua paixão e é um hub de soluções e engajamento para o mercado esportivo, o reforço da tendência de hiperpersonalização nos conteúdos e nos consumidores vai ser uma tendência que o Flamengo potencializa com a profissionalização da nova plataforma.
"Que já não consumimos mais TVs como antigamente, não é nenhuma novidade. Mas a chegada da Flamengo TV, com a entrada de nomes de peso, vai se tornar a 5ª maior TV de clubes do mundo, com mais de 7 milhões de seguidores e uma potência em engajamento, com criação de conteúdo e atratividade para geração de novos negócios e receitas. Golaço da nova gestão, que deve influenciar o cada vez mais aquecido mercado de streaming no Brasil", diz.
Os detalhes de como isso seria feito não foram revelados, mas sabe-se que a utilização das imagens poderia ser usada pela produção da própria Globo, por contrato entre as duas partes. O clube entende que se conseguir um número considerável de assinaturas, estimado em até 200 mil pessoas, vai conseguir capitalizar em torno de novos patrocinadores e naming rights para a TV.
"A TV de um clube é uma propriedade gigante, com capacidade de uma conexão genuína com o fã e, obviamente, uma forma de conexão com marcas. Conteúdos exclusivos é o básico do projeto, eu acredito muito em dezenas de marcas criando sua forma de comunicar com o torcedor e vender seu produto, seja uma indústria automobilística, uma faculdade EAD ou uma escola de inglês, existe espaço para todos os segmentos", analisa Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em marketing esportivo, e que faz a captação de contratos entre marcas envolvendo profissionais do esporte.
"Os clubes de futebol possuem uma legião de torcedores ávidos por conteúdos. Ninguém melhor do que a própria instituição para gerar esses materiais diferentes e especiais, mas é preciso ter planejamento e estrutura para gerar engajamento e monetizar da forma adequada", complementa Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, e que faz a captação de contratos entre marcas envolvendo profissionais do esporte.
[Grifar] O sucesso da Flamengo TV dependerá da capacidade do clube de oferecer conteúdo exclusivo e engajamento para sua vasta base de torcedores.