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Três novos livros sobre mudanças climáticas que não decepcionam

Livros sobre mudanças climáticas são indicados na Bloomberg Businessweek

Lista de livros (Daniel Grizelj/Getty Images)

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Bloomberg Businessweek
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Publicado em 1 de agosto de 2023 às 10h00.

Por Eric Roston

Nada quebra mais a indolência gostosa do verão do que trazer à tona os perigos da mudança climática. Basta um único aviso – “Esta praia não existirá mais daqui a 30 anos!” – para que o ansioso ambientalista veja seu calendário social transformado em um leito de rio assolado pela seca.

Mas, como acontece com tantos difíceis assuntos, nem sempre é o quê, mas como o que importa: como manter a atenção em um desafio tão vasto? Como falar da crise climática sem matar o clima?

Três recentes livros se destacam pela abordagem do tema.

The Parrot and the Igloo (O papagaio e o iglu), por David Lipsky (W.W. Norton, Amazon) 

Escritor e artista residente da Universidade de Nova York, Lipsky escreveu uma obra narrativa de não-ficção centrada na ideia de que tudo o que os humanos fazem para progredir resulta em emissões, que colocam em risco o  progresso humano por meio das mudanças climáticas.

Pode não haver uma visão definitiva sobre a crise climática, mas Lipsky tenta cobrir o que “uma pessoa razoavelmente bem informada poderia saber”. O Papagaio e o Iglu é dividido em três seções. Juntas, elas mostram como as inovações que inicialmente levantaram as civilizações podem empurrá-las para um potencial cataclismo climático se as pessoas não eliminarem as emissões o mais rapidamente possível.

A primeira seção analisa a eletricidade como um substituto para as principais indústrias poluidoras. A segunda examina os 170 anos de história da ciência do clima, enquanto a terceira mapeia o advento da negação profissional do clima por profissionais que negam o tabaco e o câncer. A indústria da negação é agora uma parte significativa da história do clima, e Lipsky a relata magistralmente com temperada indignação e um senso de humor irônico e vibrante.

Not Too Late, (Não é tarde demais) editado por Rebecca Solnit e Thelma Young Lutunatabua (Haymarket Books, Amazon) 

Contadoras de histórias e ativistas, as editoras Rebecca Solnit e Thelma Young Lutunatabua compilaram um pequeno livro na esperança de que ele sirva como um bálsamo para os nervos abalados pela situação do clima. “Esperança não é otimismo”, escreve Solnit no ensaio de abertura. Não é “como um bilhete de loteria que você pode sentar no sofá e agarrar” tanto quanto “um machado com o qual você arromba portas em uma emergência”.

Not too Late(Não é tarde Demais) traz à tona tópicos que ecoam nas manchetes recentes: Jade Begay, especialista em direitos indígenas e política climática, explica como a separação dos índios americanos de suas terras contribuiu para os incêndios florestais na Califórnia. Outro ensaio de Solnit exalta a campanha Green New Deal de 2019 e as vitórias limitadas da Lei de Redução da Inflação, que reservou mais de US$ 374 bilhões para energia limpa. Young Lutunatabua conclui o volume com uma solução íntima e pungente para a tensão entre mudança climática e esperança: é um ensaio que reúne gravidez, maternidade e uma vislumbre sobre “como manter destruição e criação ao mesmo tempo”.

Ice: From Mixed Drinks to Skating Rinks – a  Cool History of a Hot Commodity, (Gelo: drinks variados a pistas de patinação – uma história legal sobre uma commodity polêmica) por Amy Brady (G.P. Putnam’s Sons, Amazon) 

A autora estava em visita a família no Kansas em 2018, quando uma onda de calor despertou seu interesse pela obsessão cultural, culinária e comercial dos americanos por gelo. Aqui Brady oferece um refrescante hino a esse subestimado relacionamento.

Americanos hoje não consideram o gelo como algo precioso, mas alguém precisava ensinar os bartenders de Nova Orleans a usá-lo e foi Frederic Tudor, empresário do século 19, que o fez. Alguém teve que patentear a concha de sorvete também. Temos aqui Alfred L. Cralle, inventor negro da Virgínia que nunca jamais obteve lucro com sua criação de 1897. E nenhuma história  sobre o gelo estaria completa sem uma breve biografia de Frank Zamboni, cujas máquinas gigantescas suavizam as pistas de patinação no mundo inteiro.

Ice é um livro divertido e descontraído, mas as mudança climáticas estão presentes em suas páginas – através do calor extremo e do gelo como energia – e traz também algumas participações especiais. John Gorrie, inventor da primeira máquina de gelo em 1844, é lembrado em um pequeno museu em Apalachicola, na Flórida, e está enterrado nas proximidades. “Este é o terceiro local de descanso dele”, disse um guarda florestal a Brady. “Primeiro, ele sepultado pela água e posteriormente, o mar continuou subindo.”

Tradução de Anna Maria Dalle Luche.

 

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