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Inverno mais rigoroso deve pressionar custos de saúde e energia, diz estudo

Temperaturas até 5°C mais baixas que 2024 impactam diversos setores da economia

Julho deve ser mais seco, com episódios de chuva concentrados no Sul e litoral nordestino (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Julho deve ser mais seco, com episódios de chuva concentrados no Sul e litoral nordestino (Cris Faga/NurPhoto/Getty Images)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 8 de julho de 2025 às 10h00.

O inverno de 2025 chegou com ondas de frio intercaladas por períodos mais amenos, contrastando com a estação anterior, que registrou temperaturas acima da média.

"Neste ano, devemos ficar perto dos padrões típicos para o período, com médias de 3 °C a 5 °C mais baixas em relação a 2024", diz Guilherme Martins, meteorologista da Nottus, agência especializada em mudanças climáticas que divulgou informações com exclusividade para a EXAME.

Essa mudança climática traz implicações econômicas significativas que já começam a ser sentidas em diversos setores.

Doenças respiratórias e o efeito na saúde

O impacto mais imediato está no setor de saúde. Dados da Nottus revelam que, mesmo com o inverno mais quente de 2024, houve aumento de 107% nos casos de gripe no Estado de São Paulo, saltando de 1.914 registros em 2023 para 3.962 em 2024.

Para o sistema de saúde, isso representa pressão significativa sobre os custos operacionais. Hospitais e clínicas precisam aumentar estoques de medicamentos respiratórios e reforçar equipes médicas. O setor farmacêutico registra picos de demanda por antigripais, com vendas que podem crescer entre 40% e 60% durante o inverno.

Energia: demanda pode crescer até 25%

O inverno mais rigoroso impacta diretamente o setor energético. A demanda por energia elétrica tende a crescer com o maior uso de aquecedores domésticos e industriais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

As distribuidoras já se preparam para picos de consumo que podem representar aumentos de 15% a 25% na demanda.

O setor de gás natural também se beneficia, com crescimento nas vendas de até 30% durante os meses de inverno para aquecimento residencial e industrial.

Agronegócio

O agronegócio enfrenta cenário misto. Culturas de inverno, como trigo, aveia e centeio, se beneficiam das temperaturas mais baixas. Por outro lado, produtores de hortaliças e frutas tropicais precisam investir em sistemas de proteção contra geadas, aumentando custos de produção.

O varejo experimenta transformação sazonal com aumento nas vendas de roupas de inverno, equipamentos de aquecimento e produtos sazonais. O e-commerce registra picos de demanda, com consumidores optando por compras online para evitar exposição ao frio.

O setor turístico observa migração de turistas para destinos mais quentes. Estados do Norte e Nordeste registram aumento na ocupação hoteleira, enquanto destinos de serra podem experimentar queda na demanda.

"Essa é uma situação que compromete a qualidade do ar e provoca processos inflamatórios no organismo. No ano passado, notamos registros mais intensos na primavera, mas que também são habituais no inverno", diz o meteorologista da Nottus. Segundo Martins, houve crescimento de 570% no número de focos de incêndio no estado paulista em relação a 2023.

Preparação para os próximos meses

As previsões indicam que o inverno de 2025 será caracterizado por alternância entre períodos mais frios e outros mais amenos. Julho deve ser mais seco, com episódios de chuva concentrados no Sul e litoral nordestino.

Martins destaca que em um cenário de variações climáticas cada vez mais frequentes, acompanhar a oscilação do clima é fundamental para a prevenção de riscos à saúde. "Em períodos como este, especialmente diante de mudanças bruscas de temperatura e da piora na qualidade do ar, é importante que a população fique atenta aos sinais de desconforto e procure orientação de profissionais de saúde ao indício de sintomas de doenças respiratórias".

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