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Especial Trajetórias: Gal Barradas, de slogans inesquecíveis à reinvenção no mercado financeiro

Executiva, que teve uma carreira orientada por grandes agências de publicidade, ocupa agora a posição de Líder de Crescimento e Marketing no mercado financeiro

Atual Líder de crescimento e marketing na Rio Bravo Investimentos, Gal também se dedica à representação feminina no mercado corporativo, algo que sempre foi uma luta pessoal

Atual Líder de crescimento e marketing na Rio Bravo Investimentos, Gal também se dedica à representação feminina no mercado corporativo, algo que sempre foi uma luta pessoal

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 27 de março de 2025 às 10h31.

Última atualização em 28 de março de 2025 às 14h14.

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Você certamente já ouviu falar da "cerveja que desce redondo”, frase que por anos foi marca registrada da cerveja Skol. Esse e muitos outros slogans marcantes da publicidade brasileira estão gravados também nos capítulos da história de Gal Barradas, uma das líderes mais respeitadas no setor de marketing e publicidade.

Natural de Salvador, Gal percebeu ainda muito jovem que sua trajetória passaria pela comunicação. "Fui para a faculdade de Administração de Empresas com a certeza de que seguiria na área, mas logo entendi que o marketing era meu lugar", conta. Confiando em sua visão, começou primeiro a estagiar em grandes empresas, de olho no que seria o próximo passo para alcançar o mercado publicitário.

Gal começou sua carreira na agência de Duda Mendonça, onde se apaixonou pela interseção entre publicidade e negócios. Em 1995, cofundou a Manga Rosa, uma das primeiras produtoras multimídias do Brasil. Depois, passou pela W/Brasil, atendendo grandes contas. “Foi então que me convidaram para a Agência Click, focada no meio digital. E ali eu confirmei que era com a internet que deveria estar.”

Carreira em publicidade

Sempre em busca de desafios literais, assumiu na sequência como diretora de desenvolvimento de marca na F/Nazca — a agência onde nasceria o "desce redondo" , na qual permaneceu por 8 anos, até ser convidada pela MPM Propaganda para se tornar vice-presidente. Na época, como em muitos setores, a presença de mulheres no alto escalão na publicidade também era raridade.

A falta de representatividade feminina na liderança das agências de publicidade é um desafio crescente no setor. Uma pesquisa do Observatório da Diversidade na Propaganda (ODP) revela que 85% dos cargos de CEO são ocupados por homens, enquanto as mulheres ocupam apenas 15%.

Além disso, uma pesquisa da More Grls, em 2020, apontou que as mulheres representavam apenas 25% dos profissionais na área de criação, com os homens dominando 75% das lideranças. Essa disparidade reflete-se diretamente nos resultados das campanhas publicitárias, onde a ausência de perspectivas femininas pode impactar a representatividade e a diversidade das mensagens veiculadas, limitando a abrangência e a conexão com o público.

Foi então que passou a compor o quadro societário da Fbiz, convidada por Marcelo Lacerda. Como CEO, conduziu a virada estratégica da agência, que culminou com a venda para o Grupo WPP, na maior aquisição de uma agência digital na América Latina na época.

“Conseguimos traduzir a era digital no posicionamento do negócio”, afirma. Depois, foi co-fundadora e co-CEO da BETC no Brasil, uma das agências mais criativas do Grupo Havas.

Em 2024, Gal foi convidada a integrar a Rio Bravo Investimentos, uma gestora de recursos com 25 anos de história, onde ocupa o cargo de Líder de Crescimento e Marketing. "A Rio Bravo estava passando por uma transformação e eu estava em busca de novos desafios. Fiquei impressionada com a inovação que a empresa trazia", afirma.

Desigualdade no setor financeiro

Agora, próxima de completar um ano na empresa, ela já percebe as diferenças entre o mercado financeiro e outros setores. "Na Rio Bravo, temos uma estrutura diferenciada. 58% do C-level e da diretoria são mulheres, o que é raro no setor financeiro e reflete uma cultura mais inclusiva e criativa", explica.

No dia a dia, persiste a desigualdade. Em 2024, a certificação CPA-10 — capacitação para profissionais que buscam distribuir produtos de investimento — tinha 53% de mulheres. No entanto, a certificação CGA, voltada para a gestão de fundos, era alcançada por apenas 6% delas. Embora existam ações para incentivar a entrada na carreira, as dificuldades aumentam à medida que a profissional avança.

“Mudar a cultura é um exercício diário, não podemos relaxar ou desistir”, diz Barradas. “Quando todas as cabeças são iguais, elas enxergam as mesmas coisas. Quando há diversidade, ela amplia o olhar e a análise de riscos e oportunidades.”

Na Rio Bravo, Gal tem se dedicado a causas importantes para ela e para o setor: empoderamento feminino e liberdade financeira. "O mercado de investimentos se tornou mais inclusivo. Nos últimos cinco anos, o número de mulheres investindo em renda variável cresceu 658%. Elas estão mais disciplinadas e com uma visão de longo prazo", afirma.

Educação financeira para mulheres

Para ela, esse comportamento é característico das mulheres, que muitas vezes são mais estratégicas ao investir. "Mulheres buscam liberdade financeira porque entendem que isso é um caminho para a autonomia e segurança."

Gal também se dedica à representação feminina no mercado corporativo, algo que sempre foi uma luta pessoal. "Quando cofundei o aplicativo 'Woman Interrupted', em parceria com a BETC, o objetivo era chamar atenção para a interrupção constante das mulheres em reuniões, um fenômeno que revela as microviolências cotidianas", conta.

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O aplicativo, desenvolvido em parceria com a Brave, produtora digital, ajuda a educar sobre a frequência com que os homens interrompem as mulheres em reuniões. "O que nos motivou a criar essa ferramenta foi a percepção de que as mulheres devem ocupar seus espaços e ter suas ideias ouvidas", diz.

Na Rio Bravo, Gal continua promovendo a igualdade e trabalhando para que as mulheres não precisem escolher entre família e carreira. "Me sinto contente por poder continuar nisso de forma coerente, através de nossas ferramentas. Estou fazendo o que sempre acreditei e compartilhando com mulheres o essencial: o olhar e os ouvidos", afirma.

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