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Após incêndios históricos, Trump corta equipe e verba da principal agência meteorológica

Demissões ocorrem em paralelo à reestruturação de outras agências ambientais federais, fragilizando sistema de alerta que sustenta um terço do PIB americano

Infraestrutura de modelagem climática da NOAA, essencial durante recentes incêndios e inundações, sofre impacto com desligamento de centenas de especialistas. (Joe Raedle/AFP)

Infraestrutura de modelagem climática da NOAA, essencial durante recentes incêndios e inundações, sofre impacto com desligamento de centenas de especialistas. (Joe Raedle/AFP)

Lia Rizzo
Lia Rizzo

Editora ESG

Publicado em 28 de fevereiro de 2025 às 12h05.

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A administração Trump realizou nesta quinta-feira, 27, cortes significativos na National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), principal agência de de previsões e alertas meteorológicos do país.

Aproximadamente 800 funcionários, de um total de 13.000, foram demitidos, enfraquecendo sobretudo as áreas estratégicas para a segurança nacional e gestão de desastres.

Os cortes ocorrem em um momento particularmente delicado para o cenário climático americano. Nos últimos meses, os EUA enfrentaram uma série de eventos extremos que colocaram à prova os limites dos sistemas de alerta e resposta a emergências.

Em fevereiro, o estado de Kentucky sofreu inundações devastadoras que exigiram enorme mobilização do National Weather Service (NWS). Simultaneamente, ondas de frio extremo atingiram diversas regiões do país, sobrecarregando a infraestrutura energética e de comunicações.

Antes, às vésperas da posse de Trump, a cidade de Los Angeles foi atingida pelo pior incêndio de sua história. As chamas consumiram áreas extensas da região metropolitana, resultando em evacuações em massa e destruição de propriedades inteiras. Apesar do prejuízo bilionário, os sistemas avançados de simulação atmosférica da NOAA foram determinantes no gerenciamento dessa crise.

"A redução do quadro técnico especializado compromete diretamente nossa capacidade de antecipar e responder a eventos extremos, justamente quando estamos observando sua intensificação", disse a Axios um especialista em políticas climáticas, que pediu anonimato por temer retaliações.

"Erosão de nossas capacidades institucionais"

As demissões atingiram desde o National Ocean Service, órgão de gestão de oceanos e da costa americana, até o prestigiado Geophysical Fluid Dynamics Laboratory em Princeton, responsável por modelagens climáticas de referência global, incluindo simulações que servem como referência para o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e diversos outros centros meteorológicos ao redor do mundo.

De acordo com a a Axios, um analista do National Ocean Service contou que supervisores tentavam ajudar funcionários em período probatório a salvaguardar documentos funcionais antes de perderem acesso aos sistemas. "Uma verdadeira erosão de nossas capacidades institucionais", classificou o analista.

Informações do New York Times apontam que esta seria apenas a primeira onda de demissões, num processo mais amplo de reestruturação. A segunda etapa de saídas deve acontecer num modelo de renúncia voluntária da administração Trump, mecanismo que pressiona funcionários estáveis a deixarem espontaneamente seus cargos.

Corte orçamentário é o próximo passo

As reduções ocorrem sob a orientação do Department of Government Efficiency (DOGE), liderado pelo bilionário Elon Musk, que visitou instalações da NOAA e obteve acesso a sistemas de TI da agência. Segundo fontes da Axios, a NOAA também foi informada de que sofrerá corte de até um terço de seu orçamento total.

A redução deve impactar setores econômicos fundamentais como agricultura, transporte, energia e seguros, que dependem criticamente das previsões e dados gerados pela agência. As companhias aéreas, por exemplo, economizam milhões de dólares anualmente graças às previsões de ventos e condições atmosféricas que permitem otimizar rotas e consumo de combustível.

Nos mecanismos de resposta a desastres, as decisões levam a um passo atrás. Recentemente a agência havia fortalecido sua infraestrutura com recursos provenientes da legislação de infraestrutura e do pacote climático da administração Biden - investimentos agora ameaçados pelas restrições orçamentárias.

Especialistas alertam ainda para o impacto do recorte demográfico das demissões: jovens com menos de dois anos de serviço tem sido dispensados, enquanto profissionais mais experientes estão sendo influenciados a aderir ao programa de aposentadoria antecipada, o que criaria uma lacuna de expertise institucional.

Além das óbvias consequências para a capacidade americana de responder a emergências ambientais imediatas, as mudanças têm impacto na histórica liderança científica global dos Estados Unidos, em pesquisas climáticas, monitoramento oceânico e preparação para desastres, em um momento que eventos extremos tem se intensificado em escala mundial.

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