Esfera Brasil

Um conteúdo Esfera Brasil

Entenda o raio-x das entregas de Haddad em 2025

Dificuldade fiscal e descompasso com Congresso limitam metas 

Ministro da Fazenda do terceiro mandato do presidente Lula, Fernando Haddad apresentou agenda econômica com 25 prioridades (Diogo Zacarias/MF)

Ministro da Fazenda do terceiro mandato do presidente Lula, Fernando Haddad apresentou agenda econômica com 25 prioridades (Diogo Zacarias/MF)

Esfera Brasil
Esfera Brasil

Plataforma de conteúdo

Publicado em 28 de novembro de 2025 às 20h05.

Desde que assumiu o comando do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad apresentou uma agenda ambiciosa de prioridades para o terceiro mandato de Lula. Somente para o biênio 2025 e 2026, a agenda contou com 25 prioridades. Apesar da dificuldade fiscal do governo, a equipe econômica avançou em tópicos como fortalecimento do arcabouço fiscal, transição energética e reformas estruturantes. 

Dois dos grandes legados de Haddad são a reforma tributária, cujo processo de regulamentação foi concluído este ano, e a reforma da tabela do Imposto de Renda (IR), sancionada nesta semana pelo presidente Lula. Ambas matérias foram discutidas após décadas de construção política e aprovadas com amplo debate da equipe econômica junto ao Legislativo e à sociedade civil.

Outra frente de atuação do ministério foi a modernização do crédito e do ambiente de negócios. Entre as medidas destacadas estão a aprovação do novo Marco de Garantias, reformas nas regras de crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, restrições ao rotativo do cartão de crédito, além de programas de regularização de dívidas para consumidores, como o Desenrola Brasil.

No plano macroeconômico, o governo estima para 2025 um crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), com uma média de 3% ao ano para o período entre 2023 e 2026. Segundo o ministro, mesmo diante de juros elevados, o País tem conseguido “crescer de forma equilibrada, mais justa, com mais oportunidades”. Na mesma toada, ele afirma que há melhora na distribuição de renda, geração de emprego formal e queda da fome, conquistas atribuídas não somente à política econômica, mas à coordenação com programas sociais

Essa combinação de crescimento, reforma tributária, crédito mais acessível e ambiente de negócios mais estruturado compõe o que o ministro descreve como “uma economia muito mais arrumada em 2026”. 

Dificuldades da agenda

Apesar de grandes entregas, outras prioridades relevantes para a economia brasileira estão travadas ou sequer foram iniciadas — condição reconhecida pelo governo. Tantos outros itens são passíveis de inclusão na lista das prioridades para o próximo ano, como a equalização da arrecadação e das despesas da União, fraudes tributárias decorrentes de operações do crime organizado e a melhora da credibilidade fiscal do País, a fim da colheita de bons frutos na queda dos juros, no mercado de ativos e na atração de investimentos.

Além disso, com a perda de validade da Medida Provisória relativa a ajustes tributários — como a tentativa de tributação de investimentos financeiros —, o governo sinalizou a necessidade de rediscutir o Orçamento de 2026 e buscar novas formas de compensação fiscal. Isso revela a fragilidade estrutural do ajuste: sem aprovações congressuais ou sem reformas complementares, há risco de descompasso entre a expectativa e os resultados concretos.

As metas de limitar supersalários ou de reformar a previdência dos militares, também entre as 25 prioridades, aparecem cada vez menos nos pronunciamentos públicos, o que sugere que menos energia será empregada às matérias no próximo ano. Por fim, grande parte da ambiciosa agenda permanece em implementação ou depende de decisões futuras no Congresso e de regulamentações adicionais. Caberá à Fazenda alinhar o discurso ao Planalto para superar as dificuldades de governabilidade e compor com deputados e senadores em temas econômicos.

Acompanhe tudo sobre:Fernando Haddad

Mais de Esfera Brasil

Rio de Janeiro bate recorde e recebe quase 1,8 milhão de turistas estrangeiros em 2025

Por que a Etiópia foi escolhida como sede da COP32

Países emergentes articulam nova agenda econômica no G20

Guia estabelece diretrizes para estimular sustentabilidade em compras públicas