Economia

Gasolina e gás de cozinha não devem ter reajuste

A previsão do Banco Central consta na ata da reunião do Comitê de Política Monetária, que usa a manutenção dos preços dos combustíveis, itens com forte peso na inflação

Preços estáveis vão contra o que vem sendo defendido pelo mercado e pela presidente da Petrobras, Graça Foster (Divulgação/Petrobras)

Preços estáveis vão contra o que vem sendo defendido pelo mercado e pela presidente da Petrobras, Graça Foster (Divulgação/Petrobras)

DR

Da Redação

Publicado em 8 de junho de 2012 às 19h32.

Rio de Janeiro - O Banco Central (BC) manteve a previsão de que a gasolina e o gás de botijão não sofrerão reajuste este ano, ao contrário do que vem sendo defendido pelo mercado e pela presidente da Petrobras, Graça Foster. A previsão do BC consta na ata da reunião do Comitê de Política Monetária, que usa a manutenção dos preços dos combustíveis, itens com forte peso na inflação, como uma das justificativas para a redução em maio da taxa básica de juros no País.

Desde que assumiu o cargo, em fevereiro, Graça vem defendendo, embora sem data ou porcentuais, uma eventual correção da defasagem entre o preço do petróleo no mercado internacional e o vendido pelas refinarias da companhia a distribuidoras. Analistas chegam a calcular uma defasagem de cerca de 30% como desvantagem para a empresa.

No mês passado, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, defendeu que houvesse um reajuste quando o preço do barril de petróleo no mercado internacional batesse US$ 130. Hoje, o barril do Brent está em US$ 101. Na divulgação do resultado financeiro do segundo trimestre, o diretor Financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, afirmou desconhecer o patamar estipulado pelo ministro. O governo é controlador da Petrobrás, que tem como presidente de seu conselho de administração o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O último reajuste de preços (10% para a gasolina e 2% para o diesel) ocorreu em novembro, mas foi compensado pela redução da Cide pelo governo, de forma a não haver impacto de preços nas bombas. A redução da Cide, no entanto, se encerra no fim deste mês. Sem renovação, a Petrobrás pode amargar prejuízos ainda maiores a partir de julho, caso a previsão do BC se confirme.

Sem reajuste nas refinarias, uma das saídas para compensar parte das perdas da Petrobrás poderia vir da elevação da mistura de etanol anidro à gasolina. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) diz que já há condições no mercado para retomar a proporção de 25% de etanol na mistura, contra os 20% atuais. A entidade diz já existir produção suficiente para sustentar a alta. Também conta a favor desta solução o fato de a produção de etanol anidro estar mais vantajosa em termos de preço do que a produção de açúcar, cujas cotações caíram no mercado internacional.

Acompanhe tudo sobre:Banco CentralCombustíveisEnergiaGásGasolinaMercado financeiroPetróleoPreços

Mais de Economia

Governo reduz contenção de despesas públicas de R$ 15 bi para R$ 13 bi e surpreende mercado

Benefícios tributários farão governo abrir mão de R$ 543 bi em receitas em 2025

“Existe um problema social gerado pela atividade de apostas no Brasil”, diz secretário da Fazenda

Corte de juros pode aumentar otimismo dos consumidores nos EUA antes das eleições