Economia

Correios registram prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões no ano até setembro

Segundo relatório de de resultados financeiros do 3º trimestre, a empresa teve uma queda de 12,7% em receita

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 28 de novembro de 2025 às 20h38.

Última atualização em 28 de novembro de 2025 às 21h05.

Tudo sobreCorreios
Saiba mais

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) registrou um prejuízo de R$ 6 bilhões no acumulado do ano, segundo o relatório de resultados financeiros do terceiro trimestre de 2025, divulgado nesta sexta-feira, 28.

De acordo com o documento, que destaca dados do período até 30 de setembro, os Correios tiveram R$ 12,3 bilhões em receita, o que representa uma queda de 12,7% (R$ 1,8 bilhão) em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a empresa registrou R$ 14,1 bilhões.

Por outro lado, os custos operacionais apresentaram uma leve redução, passando de R$ 11,8 bilhões em 2024 para R$ 11,7 bilhões em 2025, uma queda de R$ 155 milhões (1,31%).

Entretanto, as despesas gerais e administrativas dispararam no período. Em 2024, esses gastos totalizaram R$ 3,1 bilhões, mas em 2025 aumentaram em R$ 1,7 bilhão (53,5%), alcançando R$ 4,8 bilhões.

O principal responsável por esse aumento foi o pagamento de precatórios, em razão de decisões judiciais transitadas em julgado. Os Correios registraram R$ 2,1 bilhões em precatórios a pagar em 2025, contra R$ 483 milhões no ano anterior. No terceiro trimestre, o pagamento de precatórios somou R$ 524 milhões.

Sequência de prejuízos nos Correios

Este é o 13º trimestre consecutivo de prejuízo para a estatal, que vem enfrentando dificuldades desde o 4º trimestre de 2022. No primeiro semestre de 2025, o prejuízo havia sido de R$ 4,36 bilhões.

Com a crise financeira se intensificando, em outubro, a empresa anunciou que buscaria R$ 20 bilhões em empréstimos para tentar equilibrar suas finanças. Na semana passada, a nova gestão dos Correios, que assumiu em setembro, revelou um plano de reestruturação e espera que a captação de recursos ocorra até o final deste mês.

Entenda o plano de reestruturação

Segundo o comunicado da última semana, o Plano de Reestruturação dos Correios pretende assegurar a liquidez necessária para a empresa ao longo de 2026. Para isso, a empresa deve concluir até o final de novembro uma operação de crédito, com um aporte de até R$ 20 bilhões. De acordo com a empresa, esse recurso é considerado essencial para viabilizar a transição estrutural planejada.

O plano de reestruturação foi elaborado após uma análise detalhada da situação financeira e do modelo de negócios atual da estatal. Diante do cenário de queda nas receitas e aumento dos custos operacionais, a reestruturação será implementada em três fases: recuperação financeira, consolidação e crescimento.

No comunicado, os Correios detalharam que, nos próximos 12 meses, os recursos serão aplicados em diversas medidas, como:

  • Programa de Demissão Voluntária e remodelagem dos custos com plano de saúde;
  • 100% de adimplência com fornecedores;
  • Modernização e readequação do modelo operacional e infraestrutura tecnológica;
  • Liquidez assegurada durante a evolução do modelo econômico da empresa ao longo de 2026;
  • Monetização de ativos e venda de imóveis: com potencial de receita de R$ 1,5 bilhão;
  • Otimização da rede de atendimento com redução de até mil pontos deficitários;
  • Expansão do portfólio para e-commerce e parcerias estratégicas.

Os Correios também sinalizaram a possibilidade de realizar operações de fusões, aquisições e outras reorganizações societárias, para fortalecer a competitividade da estatal no médio e longo prazo. Com esse plano, a empresa espera uma redução do déficit em 2026 e retorno à lucratividade em 2027.

Acompanhe tudo sobre:CorreiosPrejuízoCrise econômica

Mais de Economia

Aneel anuncia bandeira amarela nas contas de energia em dezembro

Taxa de desemprego cai para 5,4% em outubro, a menor da série histórica

Congresso aprova crédito de R$ 42,2 bi à Previdência e ao Bolsa Família, e novos cargos no MEC

Ministro do Trabalho quer discutir com Lula liberação do FGTS retido de demitidos