Correios: governo estuda alternativas para equilibrar as contas da estatal (Eduardo Frazão/Exame)
Agência de notícias
Publicado em 30 de janeiro de 2025 às 20h43.
Última atualização em 30 de janeiro de 2025 às 20h44.
O Ministério da Gestão e Inovação afirmou que a situação financeira dos Correios "demanda atenção" e que o governo já discute alternativas para garantir a sustentabilidade da estatal. Segundo Elisa Leonel, secretária de Estatais da pasta, o déficit primário dos Correios em 2024 contribuiu para o rombo recorde das estatais federais independentes, conforme dados do Banco Central. Outras empresas em situação delicada são a Infraero e a Casa da Moeda.
O governo atribui o crescimento do déficit à retomada dos investimentos nas estatais independentes na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Até novembro de 2024, o Banco Central registrou um déficit primário de R$ 6 bilhões nas empresas públicas federais independentes, maior valor desde 2001. O Ministério da Gestão, que adota outra metodologia de contabilidade, aponta um resultado ainda pior: déficit de R$ 6,3 bilhões no ano.
Ao excluir investimentos do PAC (R$ 1,9 bilhão) e o desempenho da estatal de energia nuclear ENBPar, o déficit das estatais independentes em 2024 ficou em R$ 4,04 bilhões, abaixo do limite de R$ 7,3 bilhões autorizado pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
O prejuízo dos Correios foi um dos principais responsáveis pelo resultado negativo:
Déficit de R$ 3,2 bilhões em 2023;
Déficit de R$ 440 milhões em 2023;
Superávit de R$ 186 milhões em 2022.
Em 2024, até setembro, o prejuízo acumulado já somava R$ 2,1 bilhões.
A secretária Elisa Leonel afirmou que os Correios precisam diversificar suas áreas de atuação e buscar novas fontes de receita para equilibrar as contas. O governo avalia formas de rentabilizar a estrutura da estatal, que possui presença nacional.
“Os Correios têm uma presença nacional. A estrutura da empresa está lá e pode ser rentabilizada. Por onde vai é que é o debate”, disse Leonel.
Ela também destacou que a entrada da estatal no Plano Nacional de Desestatização (PND), durante o governo de Jair Bolsonaro, prejudicou sua situação financeira, pois reduziu investimentos e cancelou contratos com empresas privadas de marketplace.
A ministra Esther Dweck afirmou que, apesar do déficit recorde das estatais em 2024, não há impacto direto para o Tesouro Nacional, pois essas empresas independentes não recebem aportes diretos do governo.
“O déficit não representa nenhum problema para o Tesouro. Não significa que o Tesouro vai ter que aportar dinheiro nelas”, afirmou Dweck.
Ela destacou que 83% do déficit das estatais federais independentes é explicado por investimentos realizados em 2024, que somaram R$ 5,3 bilhões, um crescimento de 12,7% em relação a 2023.
Entre os projetos estratégicos, Dweck citou os investimentos das estatais Dataprev e Serpro, que participam da transformação digital do governo. Um dos projetos envolve a criação da base biométrica nacional, essencial para evitar fraudes em benefícios sociais.