Economia

China adota medidas para fortalecer indústria de carne bovina diante da queda nos preços

Documento Central Nº 1 inclui, pela primeira vez, medidas para apoiar a pecuária e reequilibrar o mercado

Carne bovina: Brasil prepara abertura de mercado no Japão, Turquia, Coréia do Sul e Vietnã, que representam 30% do consumo global da proteína (Wenderson Araujo/Trilux/Sistema Senar-CNA/Divulgação)

Carne bovina: Brasil prepara abertura de mercado no Japão, Turquia, Coréia do Sul e Vietnã, que representam 30% do consumo global da proteína (Wenderson Araujo/Trilux/Sistema Senar-CNA/Divulgação)

China2Brazil
China2Brazil

Agência

Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 15h55.

Tudo sobreCarnes e derivados
Saiba mais

O governo chinês anunciou medidas para apoiar a pecuária nacional, inserindo pela primeira vez no Documento Central Nº 1 a necessidade de “aliviar dificuldades na indústria de carne bovina e leiteira”. A decisão sinaliza um esforço concreto para reequilibrar a cadeia de suprimentos e fortalecer a produção interna diante da queda nos preços e dos desafios enfrentados pelo setor.

Desafios da indústria e impacto nos preços

A inclusão desse tema no documento estratégico do governo chinês ocorre em um momento crucial. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA), divulgados em 21 de fevereiro de 2025, o preço médio da carne bovina no atacado caiu 17,4% no último ano, atingindo 57,47 CNY/kg (7,93 USD/kg). Os preços do gado vivo chegaram ao nível mais baixo dos últimos dez anos, refletindo um desequilíbrio entre oferta e demanda.

A disparidade nos preços da carne bovina entre Brasil e China também merece atenção. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA) de São Paulo, o preço médio no atacado no Brasil é de R$ 24,50/kg (4,29 USD/kg), enquanto o preço médio FOB da carne bovina exportada para a China é de 4,92 USD/kg, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Com a tarifa de importação chinesa de 12% “ad valorem”, o valor médio chega a 5,51 USD/kg. Esse cenário pode estar entre os fatores que levaram à investigação do Ministério do Comércio chinês sobre as importações.

Investigação sobre importações e impacto no Brasil

O Ministério do Comércio da China anunciou, em dezembro de 2024, a abertura de uma investigação sobre as importações de carne bovina, alegando que o crescimento expressivo das importações nos últimos anos pode ter impactado negativamente os produtores locais.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o Brasil é o maior exportador de carne bovina para a China, enviando mais de 1 milhão de toneladas em 2024, um aumento de 12,7% em relação a 2023. O governo brasileiro acompanha de perto essa movimentação e reforça que a carne bovina brasileira não prejudica o mercado chinês, mas complementa a oferta interna.

Perspectivas para o mercado de carne bovina

A combinação dessas medidas sugere que a China busca maior controle sobre seu mercado interno, equilibrando incentivos à produção nacional com políticas regulatórias sobre as importações. Ainda não está claro quais serão os impactos diretos dessas ações nos fluxos comerciais entre Brasil e China.

Nos próximos meses, espera-se um acompanhamento detalhado sobre como essas iniciativas irão influenciar a dinâmica do mercado e se resultarão em novas exigências para exportadores. O Brasil segue como parceiro estratégico da China no fornecimento de carne de qualidade, e a transparência no diálogo entre os dois países será essencial para garantir a continuidade desse comércio bilateral.

Crédito: João Luiz

Acompanhe tudo sobre:Carnes e derivadosEconomiaChina

Mais de Economia

Caged: Brasil abre 137 mil postos de trabalho em janeiro, acima da expectativa do mercado

Caixa registra lucro líquido R$ 14 bilhões em 2024, 31,9% maior que 2023

Câmara aprova urgência para projeto que libera emendas canceladas de 'restos a pagar'

Relator diz que Orçamento 2025 deve ser votado pela comissão em 17 de março