Economia

Bill Gates diz o que está errado na teoria de Thomas Piketty

"O Capital no Século XXI" é a nova febre literária e econômica do momento, e Bill Gates não ficou de fora da onda de críticas ao livro do economista francês


	Bill Gates e Thomas Piketty: fundador da Microsoft aponta correções ao best-seller do economista
 (Yuri Gripas/Reuters e Justin Sullivan/Getty Images)

Bill Gates e Thomas Piketty: fundador da Microsoft aponta correções ao best-seller do economista (Yuri Gripas/Reuters e Justin Sullivan/Getty Images)

Mariana Fonseca

Mariana Fonseca

Publicado em 15 de outubro de 2014 às 23h01.

São Paulo - "O Capital no Século XXI" é um livro de quase 700 páginas, escrito por um economista francês, que fala sobre desigualdade econômica. 

A obra tinha tudo para ficar encalhada nas livrarias, mas alcançou a primeira posição da Amazon logo depois de ser lançada e, nas livrarias, teve edições esgotadas.

O best-seller virou a nova febre literária econômica do momento. Com o sucesso, análises se espalharam por revistas e sites, e nem Bill Gates ficou de fora.

Em um post publicado em seu blog, o fundador da Microsoft começa concordando com pontos importantes do livro e elogiando sua contribuição para o debate econômico.

Mas ele também aponta o que chama de "falhas importantes". 

Veja quais são elas a seguir:

1. Capital e trabalho

Bill Gates começa criticando a ideia principal do livro: a de que, quando o retorno pelo capital supera o retorno por meio da produção, a desigualdade cresce entre os que têm muito capital e os que dependem só da sua força de trabalho.

Para ele, a afirmação de Piketty não aborda os diferentes tipos de capital, que geram fins sociais também diferentes.

Gates cita três tipos de pessoas ricas: uma que investe em seu negócio, outra que doa para a caridade e uma terceira que gasta em produtos supérfluos.

Apesar de a riqueza que as três possuem ajudar a aumentar a desigualdade, as duas primeiras contribuem mais para a sociedade do que a terceira, segundo Gates.

2. Dinheiro de geração a geração

Para o fundador da Microsoft, Piketty desconsidera as "forças poderosas que trabalham contra a acumulação de riqueza de uma geração para a outra". 

Apesar de concordar que ninguém quer viver em uma sociedade aristocrática, onde os ricos só ficam mais ricos, Gates não acha que esse é o caso dos Estados Unidos.

Usando como exemplo a lista dos 400 americanos mais ricos da Forbes, ele diz que não vê "ninguém que comprou um terreno em 1780 e ficou acumulando riquezas para sua família por meio de aluguéis desde então". 

Há forças que estimulam a acumulação de riquezas, mas há também fatores que fazem com que essa acumulação se destrua, e "O Capital no Século XXI" não dá destaque suficiente para o último caso, segundo Gates.

3. Renda e consumo

Bill Gates criticou também o fato de Piketty focar em dados sobre riqueza e renda ao invés de dados sobre o consumo das pessoas.

Principalmente em sociedades ricas, diz Gates, um dado sobre a arrecadação não dá muita noção sobre o que tem que ser consertado.

Piketty sugere uma taxação sobre o capital, ao invés da taxação sobre a renda das pessoas. Apesar de concordar com taxas que não incidam sobre o trabalho, Gates propõe uma que incida sobre o consumo. 

4. Filantropia

"O Capital no Século XXI" fala pouco sobre a filantropia, que, para Gates, pode ser parte da solução para reduzir a desigualdade. Além de produzir benefícios diretos, ela também reduz a riqueza que passa de geração a geração.

"Melinda [esposa de Bill Gates] e eu acreditamos que a riqueza hereditária é ruim tanto para a sociedade quanto para as crianças envolvidas. Nós queremos que nossas crianças façam o seu próprio caminho. Elas terão todos os tipos de vantagens, mas elas serão responsáveis por suas vidas e carreiras".

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