Barry Wilmore e Suni Williams: astronautas voltam à Terra após 9 meses no espaço (Nasa/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 18 de março de 2025 às 15h34.
Após quase nove meses no espaço, os astronautas Barry Wilmore e Suni Williams estão a caminho da Terra e logo começarão o processo de readaptação à gravidade terrestre. Durante a missão, que foi mais longa do que o esperado inicialmente, seus corpos passaram por transformações significativas devido à ausência de gravidade. Essas mudanças incluem o aumento da altura e redistribuição de fluidos, o que provoca uma série de alterações físicas, como "pernas de galinha", rosto inchado e outros efeitos temporários que começam a reverter assim que eles voltam à Terra.
Conforme os médicos da Nasa, Wilmore e Williams estão em boa saúde e respondendo bem ao processo de recuperação. Embora a ciência ainda esteja investigando os efeitos a longo prazo da vida no espaço, já há décadas de dados mostrando que muitos dos efeitos da microgravidade são temporários e podem ser revertidos assim que os astronautas retornam à gravidade. No entanto, outros efeitos continuam sendo estudados, principalmente no que diz respeito à saúde óssea e muscular.
Durante sua permanência no espaço, os astronautas enfrentam um processo de deterioração óssea e muscular. Em um ambiente sem gravidade, o corpo humano não precisa trabalhar contra a força gravitacional, o que leva à perda de densidade óssea e atrofia muscular.
Em alguns casos, os astronautas podem perder até 1,5% de sua massa óssea em apenas um mês, um índice comparável ao de mulheres pós-menopausa que não estão em tratamento. Além disso, a falta de gravidade afeta o controle motor e a coordenação, e pode gerar sintomas de enjoo e desequilíbrio, além de possíveis danos ao sistema cardiovascular e imunológico.
Embora esses efeitos sejam prejudiciais, a Nasa implementou uma série de medidas para mitigar os danos. Os astronautas realizam cerca de 2,5 horas de exercícios diários utilizando equipamentos como bicicletas ergométricas, esteiras e o dispositivo avançado de exercícios resistivos, que simula o levantamento de pesos. Essas atividades ajudam a fortalecer os músculos e os ossos, além de oferecer uma pausa psicológica durante a missão.
O aumento da altura é um fenômeno interessante observado durante a missão espacial. Sem a pressão da gravidade sobre a coluna, a espinha se alonga, resultando em um crescimento temporário de até 3%. Um exemplo disso foi a astronauta Kate Rubins, que passou de 1,68m para 1,70m durante a estadia no espaço. No entanto, esse aumento desaparece assim que os astronautas retornam à Terra.
Outro efeito curioso da ausência de gravidade é a redistribuição de fluidos no corpo. Em um ambiente normal, os fluidos corporais tendem a se acumular nas partes inferiores do corpo devido à ação da gravidade. No espaço, no entanto, esses líquidos se distribuem uniformemente pelo corpo e podem causar o que é conhecido como "síndrome do rosto inchado" e "pernas de galinha".
Além disso, os astronautas frequentemente se queixam de sensação de resfriado devido ao acúmulo de líquidos na cabeça, o que causa uma sensação de pressão nos olhos. Felizmente, esses efeitos desaparecem em alguns dias após o retorno à Terra.
A redistribuição de fluidos também pode afetar a visão dos astronautas, um fenômeno denominado Spaceflight Associated Neuro-Ocular Syndrome (SANS). Esse problema ocorre porque a redistribuição de fluidos altera a forma do globo ocular, o que pode causar uma visão embaçada.
Em um estudo, aproximadamente 16% dos astronautas apresentaram alterações visuais permanentes após missões prolongadas. Para estudar essa condição, a Nasa tem usado lentes de contato especiais para medir a pressão ocular e está pesquisando métodos para aliviar os sintomas, como óculos ajustáveis que reduzem a distorção visual.
Além das mudanças físicas, o tempo no espaço também afeta a saúde mental dos astronautas. O "efeito de visão panorâmica" ocorre quando os astronautas observam a Terra de uma perspectiva única, o que altera suas percepções filosóficas e emocionais sobre o mundo.
Muitos descrevem a experiência como algo profundamente transformador e relatam um sentimento de conexão com a humanidade ao ver o planeta de fora, sem as divisões territoriais visíveis.
Outro aspecto importante é o impacto do espaço na saúde celular e genética dos astronautas. Estudos mostram que a exposição à radiação no espaço pode danificar o DNA e alterar a estrutura das células, aumentando os riscos de câncer.
Em missões de longa duração, como a de Scott Kelly, que passou um ano no espaço, foram observadas alterações nos telômeros, as extremidades dos cromossomos, que ajudam a proteger as células do envelhecimento. Após o retorno à Terra, os telômeros voltaram ao normal, indicando que o ambiente espacial pode ter efeitos temporários, mas significativos no corpo humano.
Durante o retorno, os astronautas seguem um protocolo rigoroso de readaptação, que inclui a reidratação e o uso de meias de compressão para redistribuir os fluidos do corpo. Além disso, passam por uma série de exercícios para fortalecer os ossos e músculos, melhorar a coordenação e acelerar o processo de recuperação. Eles são monitorados por médicos especializados na Nasa por vários dias após o retorno para garantir que estão se recuperando adequadamente antes de voltarem às suas rotinas normais.
O estudo contínuo dos efeitos do espaço no corpo humano é crucial para missões mais longas, como a exploração de Marte. À medida que a Nasa e empresas comerciais planejam enviar humanos para o espaço profundo, o conhecimento sobre como o corpo humano responde ao ambiente de microgravidade será fundamental para garantir a saúde e o bem-estar dos astronautas durante e após essas missões.
A Nasa informou que os dois astronautas presos na Estação Espacial (ISS) há nove meses, Butch Wilmore e Suni Williams, se preparam para retornar à Terra nesta terça-feira, 18. Os astronautas embarcarão na cápsula Dragon Freedom da SpaceX, junto com seus colegas de missão, Nick Hague e o cosmonauta russo Aleksandr Gorbunov. O processo de resgate começou na última segunda-feira, 17, e se estenderá até hoje, com vários momentos cruciais para garantir o sucesso da operação.
Segunda-feira, 17 de março:
Terça-feira, 18 de março:
A cobertura ao vivo começou pontualmente na noite de ontem, segunda-feira, às 22h45 (horário de Brasília). É possível acompanhar a transmissão pelo site e redes sociais da Nasa.
LIVE: #Crew9 and their @SpaceX Dragon spacecraft are departing the @Space_Station and starting their journey back to Earth. Undocking is scheduled for 1:05am ET (0505 UTC). https://t.co/OUp4n98WeE
— NASA (@NASA) March 18, 2025
*com agências internacionais