Ciência

Coronavac é eficiente contra casos graves de covid, diz estudo da Malásia

Realizado pelo governo malaio, o estudo apontou que 0,011% de cerca de 7,2 milhões de pessoas vacinadas com a Coronavac precisou de cuidados em UTI

Coronavac: a vacina da Sinovac é usada amplamente em vários países, incluindo China, Indonésia, Tailândia e Brasil (Governo do Estado de São Paulo/Flickr)

Coronavac: a vacina da Sinovac é usada amplamente em vários países, incluindo China, Indonésia, Tailândia e Brasil (Governo do Estado de São Paulo/Flickr)

R

Reuters

Publicado em 24 de setembro de 2021 às 09h48.

Última atualização em 24 de setembro de 2021 às 10h35.

A Coronavac, vacina contra Covid-19 da chinesa Sinovac, é altamente eficiente contra doenças graves, embora as vacinas da Pfizer/BioNTec e da AstraZeneca tenham mostrado taxas de proteção melhores, mostrou um amplo estudo de campo da Malásia.

Os dados mais recentes são um impulso para a empresa chinesa, cuja vacina contra covid-19 é alvo de um questionamento crescente no que diz respeito à sua eficácia na esteira de relatos de infecções entre profissionais de saúde totalmente vacinados com seu imunizante na Indonésia e na Tailândia.

Realizado pelo governo malaio, o estudo apontou que 0,011% de cerca de 7,2 milhões de pessoas vacinadas com a Coronavac precisou de cuidados em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) para infecções de Covid-19, disseram autoridades de saúde aos repórteres na quinta-feira.

Em contraste, 0,002% de cerca de 6,5 milhões de pessoas inoculadas com a vacina da Pfizer/BioNTech foram internadas em UTIs com infecções de Covid-19, e 0,001% de 744.958 pessoas inoculadas com a vacina da AstraZeneca necessitaram de cuidados semelhantes.

Kalaiarasu Peariasamy, diretor do Instituto de Pesquisa Clínica que realizou o estudo juntamente com uma força-tarefa nacional contra a Covid-19, disse que as vacinas --independentemente da marca-- reduzem o risco de internação em UTIs em 83% e diminuem o risco de morte em 88% com base em um estudo menor com cerca de 1,26 milhão de pessoas.

"A taxa de infecção nas internações em tratamento intensivo é extremamente baixa", disse ele, acrescentando que as internações de indivíduos totalmente vacinados em UTIs é de 0,0066%.

A taxa de mortalidade de pessoas totalmente vacinadas de 0,01% também é baixa, e a maioria delas ou tinha mais de 60 anos ou comorbidades.

Houve diferenças no perfil demográfico das pessoas que receberam as três vacinas, e isto pode ter provocado resultados diferentes, observou Kalaiarasu.

A maioria dos vacinados com a AstraZeneca foi de "meia idade", e os imunizantes da Pfizer e da Sinovac foram "em grande parte para a população vulnerável".

Aqueles que receberam a AstraZeneca também representaram uma proporção muito menor do estudo, que envolveu cerca de 14,5 milhões de indivíduos totalmente vacinados e foi realizado durante mais de cinco meses a partir de 1º de abril.

Em julho, a Malásia disse que pararia de administrar a vacina da Sinovac quando seus suprimentos acabassem por ter um número suficiente de outras vacinas para seu programa.

A vacina da Sinovac é usada amplamente em vários países, incluindo China, Indonésia, Tailândia e Brasil, e no início deste mês a empresa disse que já distribuiu 1,8 bilhão de doses em casa e no exterior.

No Brasil, a Coronavac é responsável por 32,8% do total de doses de vacinas aplicadas na população, sendo a segunda mais utilizada no país, atrás apenas da AstraZeneca, com 43,8%.

  • Quer saber tudo sobre o ritmo da vacinação contra a covid-19 no Brasil e no Mundo? Assine a EXAME e fique por dentro.
Acompanhe tudo sobre:VacinasCoronavírusvacina contra coronavírusSinovac/Coronavac

Mais de Ciência

Pesquisadores ligam intestino ao Alzheimer e mostram que dieta pode ajudar a frear inflamação

Cabe um docinho? Estudo explica por que sempre sobra espaço para sobremesas ao final das refeições

SpaceX adia lançamento do Starship após problemas técnicos

Como identificar mentirosos? Cientista revela técnica 'infalível' para desmascarar os inimigos