Repórter
Publicado em 3 de abril de 2025 às 18h55.
Última atualização em 3 de abril de 2025 às 19h55.
Uma pedra negra vinda do espaço foi encontrada no deserto do Saara por um grupo de saarauís, um povo nômade da região. Leiloada posteriormente, a rocha, originária da crosta de Marte, intrigou cientistas por mais de uma década até que um de seus maiores mistérios fosse desvendado.
Batizada oficialmente de Northwest Africa 7034, também apelidada de "Black Beauty", a rocha de 320 gramas foi descoberta em 2011 no Saara Ocidental e vendida a um colecionador americano no Marrocos, de acordo com informações divulgadas na CNN internacional.
Sua composição se mostrou única entre os meteoritos marcianos já estudados, contendo minerais de idades distintas, mas condizentes com observações feitas por sondas da NASA na superfície marciana. Isso indica que a rocha já fez parte da crosta do planeta vermelho.
Apelidada de "Black Beauty", rocha foi encontrada no Saara, em 2011 (NASA/Divulgação)
Pesquisadores analisaram um grão de zirconita encontrado no meteorito e descobriram que ele tem 4,45 bilhões de anos, o que o coloca entre os materiais mais antigos já identificados de Marte. A maioria dos meteoritos marcianos conhecidos vem de períodos geológicos mais recentes, tornando a NWA 7034 uma peça valiosa para entender o ambiente do planeta em suas fases iniciais.
A "Black Beauty" se destaca por conter uma quantidade de água 10 vezes superior à de outros meteoritos de Marte. A interação da rocha com a água presente na crosta marciana já era conhecida, mas novas análises revelaram detalhes adicionais. A zirconita do meteorito contém ferro, alumínio e sódio, além de inclusões de magnetita, sugerindo que o material cristalizou sob condições hidrotermais — ou seja, em meio a água quente e um ambiente oxidante.
A magnetita foi encontrada em áreas do zircão que não sofreram alterações por radiação, o que indica que se formaram simultaneamente. Isso sugere que, durante o período Pré-Noachiano, há 4,45 bilhões de anos, Marte já possuía sistemas hidrotermais em sua crosta. O meteorito é uma evidência concreta da presença de água no planeta durante sua formação.
A descoberta fortalece a ideia de que Marte, desde seus primórdios, possuía ambientes propícios para formas de vida microbiana. Se a vida realmente surgiu por lá ou chegou à Terra por meio de meteoritos ainda é uma questão em aberto. No entanto, o estudo da NWA 7034 demonstra o valor das amostras marcianas, que missões da NASA e da China pretendem trazer nos próximos anos para aprofundar ainda mais essa investigação.