Ciência

Cientistas franceses abrem caminho para nova geração de antibióticos

Testes com roedores mostram que as bactérias expostas a estes antibióticos não desenvolveram nenhuma nova resistência

Remédios: o desenvolvimento da resistência aos antibióticos freia a eficácia de alguns tratamentos existentes. (REB Images/Getty Images)

Remédios: o desenvolvimento da resistência aos antibióticos freia a eficácia de alguns tratamentos existentes. (REB Images/Getty Images)

A

AFP

Publicado em 9 de julho de 2019 às 20h18.

Pesquisadores franceses criaram novas moléculas eficazes para eliminar as bactérias resistentes aos tratamentos existentes e que parecem não desenvolver novas resistências, o que aponta para "candidatos promissores ao desenvolvimento de novos antibióticos".

Seus resultados com roedores, publicados nesta terça na revista americana Plos Biology, ainda terão que ser confirmados em testes clínicos em seres humanos, destacam as equipes de bioquímicos e químicos do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica francês (Inserm) e da Universidade de Rennes.

"Percebemos que uma toxina fabricada pelos estafilococos aureus, cujo papel era facilitar a infecção, era também capaz de matar outras bactérias presentes em nosso organismo", explica Brice Felden, principal autor do estudo, em um comunicado.

Os cientistas modificaram então esta molécula para suprimir sua toxicidade para o organismo, conservando ao mesmo tempo suas propriedades antibacterianas.

Das cerca de 20 moléculas criadas, duas resultaram eficazes para tratar ratos infectados com cepas resistentes de estafilococos aureus e de Pseudomonas aeruginosa, bactéria que causa infecções adquiridas durante hospitalizações.

A atividade antibacteriana destes compostos se deve em parte a sua capacidade de provocar uma permeabilidade da membrana das bactérias infecciosas, o que leva a sua morte.

Não foi observada nenhuma toxicidade nas outras células nem órgãos, "seja no animal ou em células humanas", detalham os pesquisadores.

Além disso, as bactérias em contato com estes antibióticos não desenvolvem nenhuma resistência a estas novas moléculas, inclusive quando os cientistas "criaram condições favoráveis ao desenvolvimento" destas resistências.

"A prudência continua se impondo neste ponto já que a experiência foi realizada em prazos curtos, de até 15 dias", adverte o texto.

"Acreditamos que estas novas moléculas representam candidatos ao desenvolvimento de novos antibióticos, que podem fornecer tratamentos alternativos à resistência dos antimicrobianos", estima Felden.

O desenvolvimento da resistência aos antibióticos freia a eficácia de alguns tratamentos existentes e "representa uma ameaça crescente para a saúde mundial", segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo um estudo britânico, este fenômeno poderia causar 10 milhões de mortes por ano até 2050.

Acompanhe tudo sobre:BactériasFrançaRemédios

Mais de Ciência

Há quase 50 anos no espaço e a 15 bilhões de milhas da Terra, Voyager 1 enfrenta desafios

Projeção aponta aumento significativo de mortes por resistência a antibióticos até 2050

Novo vírus transmitido por carrapato atinge cérebro, diz revista científica

Por que a teoria de Stephen Hawking sobre buracos negros pode estar errada