Ciência

Cientistas criam tecnologia que pode aposentar ar-condicionado e ventilador — além de poupar energia

Método foi desenvolvido por pesquisadores do Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tennessee, nos Estados Unidos

Ar-condicionado: equipamento é cada vez mais demandado pelos moradores de condomínio (Schon/Getty Images)

Ar-condicionado: equipamento é cada vez mais demandado pelos moradores de condomínio (Schon/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 13h53.

Última atualização em 26 de fevereiro de 2025 às 14h04.

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O calor extremo continua atormentando os brasileiros, especialmente na região Centro-Sul do país desde sábado, 22, de acordo com informações do site Climatempo. Esse aumento de temperatura é causado pela alta pressão atmosférica na região. A nova onda de calor, que começou a ganhar força nesse período, é a quarta registrada em 2025.

Diante desta situação, muitas pessoas recorrem aos aparelhos de ar-condicionado e ventiladores para se aliviar. Mas, o uso desses recursos podem mudar radicalmente com uma nova descoberta.

Cientistas do Laboratório Nacional de Oak Ridge (ORNL), no Tennessee (EUA), estão perto de transformar o mercado de resfriamento com uma nova tecnologia mais eficiente e sustentável do que ventiladores e aparelhos de ar-condicionado convencionais.

O método inovador, chamado resfriamento em estado sólido, funciona por meio de um material especial que libera calor ao interagir com um campo magnético. Esse fenômeno, conhecido como processo magnetocalórico, permite que o calor seja absorvido e depois dissipado, resfriando o ambiente.

A tecnologia utiliza uma liga composta por níquel, cobalto, manganês e índio, que apresenta um estado atômico chamado vítreo ferroico. Essa característica possibilita que o material mude de forma de acordo com a quantidade de calor absorvida.

Além disso, a estrutura celular da liga reage de maneira sincronizada a vibrações e ondas magnéticas. Quando submetida a um campo magnético mais intenso, sua eficiência térmica pode até triplicar, tornando-se uma solução promissora para o futuro do resfriamento.

Como essa técnica funcionaria?

Embora a tecnologia de resfriamento em estado sólido ainda esteja em fase experimental, a expectativa é que ela possa substituir completamente os sistemas tradicionais de ar-condicionado, seja por meio da adaptação de componentes existentes ou pelo desenvolvimento de novos dispositivos.

Em comparação aos aparelhos de ar-condicionado convencionais, essa alternativa é muito mais ecológica, pois elimina a necessidade de gases refrigerantes, que são prejudiciais tanto ao meio ambiente quanto à saúde humana. Embora gases como o R32 sejam alternativas mais seguras, ainda não existe uma solução 100% sustentável para os sistemas de resfriamento.

O resfriamento em estado sólido não só resolve esse desafio, mas também apresenta outras vantagens, como ser significativamente mais silencioso do que os ar-condicionados tradicionais. Por essas razões, essa tecnologia promete ser uma opção mais saudável, sustentável e prática, tanto para ambientes domésticos quanto para áreas industriais.

O resfriamento em estado sólido não tem o potencial de transformar apenas a climatização de ambientes, mas também de revolucionar o resfriamento de dispositivos eletrônicos.

Atualmente, sistemas de controle térmico para computadores estão sendo desenvolvidos com a mesma liga usada no resfriamento de ambientes. O primeiro modelo desse tipo foi apresentado pela Frore Systems durante a Consumer Electronics Show (CES) de 2024.

A grande inovação aqui é a capacidade de resfriar dispositivos eletrônicos sem a necessidade de ventiladores. Hoje, os water coolers são os sistemas mais comuns em máquinas de alto desempenho, mas com a chegada do resfriamento em estado sólido, será possível dispensar esses componentes, liberando mais espaço dentro do gabinete e tornando o design dos aparelhos mais eficiente e compacto.

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