Salão do Automóvel: edição deste ano volta menor, mas já tem novo evento garantido (Divulgação)
Colunista
Publicado em 29 de novembro de 2025 às 08h02.
Pelo que conta Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as empresas que toparam participar do retorno do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo estão satisfeitas.
Embora desacreditado nos bastidores, o principal evento automotivo do País recebeu mais de 120 mil pessoas nos primeiros três dias. Assim, não apenas agradou quem paga a conta, como também já cavou a próxima edição, agendada para daqui a dois anos.
“Isso é um evento da Anfavea e da RX. Quando nós decidimos fazê-lo, nossa primeira preocupação era como seria a reação do público ao retorno do salão. Com mais de 120 mil visitantes nos três primeiros dias, nos demonstrou que tinha sentido para o público brasileiro”, avalia a liderança da associação dos fabricantes de veículos.
“O que estou dando a elas é previsibilidade. O evento ocorrerá. O de 2025 foi um sucesso e o de 2027 será também. Daí é um planejamento que as marcas têm que fazer. A organização vai acontecer. Não vou enquanto Anfavea deixar para os últimos seis meses decidir se o Salão vai acontecer. Não faz sentido. Por isso, já estou avisando que o evento acontecerá”, promete Calvet.
Lucas Valente Pimentel, diretor de Marketing da RX, organizadora da mostra, acrescenta que o público abraçou a volta do evento de modo impressionante. “Há um aprendizado e uma lista de ajustes para a próxima edição, mas tivemos nossas expectativas superadas”, pondera.
Realizada pela última vez em 2018, a mostra voltou diferente: geograficamente menor, por conta do menor número de expositores; e com as chinesas no mesmo patamar de protagonismo e de interesse de público das marcas tradicionais. E de volta também ao Anhembi, que não é sua primeira, mas é sua casa mais emblemática.
O panorama do Salão demonstra a transformação em curso na indústria nacional, que culturalmente tem Renault, Fiat, Jeep, Citroën, Peugeot, Ram, Honda, Toyota, Mitsubishi, Kia e Hyundai – considerando-se apenas as presentes no Salão – resistindo ao bloco chinês representado aqui por BYD, Denza, GWM, Omoda Jaecoo, Avtr, MG Motor, Geely e Leapmotor.
Ou seja: se estão escalando o ranking de vendas de automóveis, por que não teriam mais espaço também em uma exibição de automóveis, a maior da América Latina?
Geely e Leapmotor, aliás, acabam de firmar acordos fabris com marcas ocidentais que até então dominavam o Brasil. Em resumo: a Geely vai produzir na fábrica da Renault, em São José dos Pinhais (PR), e a Leapmotor em Goiâna (PE), de onde saem atualmente modelos de Jeep, Fiat e Ram.
Visitar seus estandes nos revela não apenas uma das fundamentais peças da mobilidade do futuro, como nos indica um possível caminho para a reindustrialização e modernização do parque fabril automotivo nacional.
Não é possível dizer que a área de test-drives ou o espaço dedicado aos carrões do Motogrid estavam à toa. Mas, pelo tanto que ocupam e entregam, deveriam ser repensadas – ou reduzidas, deslocadas, eliminadas –, o que poderia abrir mais espaço para as marcas que chegarão para o Salão de 2027.
“Não houve conversa com as marcas ausentes ainda, mas haverá”, avisa Calvet.
Audi, BMW, Chevrolet, Ford, Jaguar Land Rover, Mercedes-Benz, Mini, Porsche, Nissan, Suzuki, Volkswagen e Volvo não participaram.
Mas, mesmo que nenhuma dessas volte, a 32ª edição promete ser maior, pois haverá ainda mais marcas chinesas apresentando seus produtos para um público que, sim, vai ao Salão do Automóvel.
“Já temos data, já temos marcas confirmadas. E o mais legal é que o próximo capítulo começou a ser contado antes de a gente encerrar essa que já e uma edição memorável. É o começo, ou recomeço, de uma história que ainda vai ter muitos capítulos pela frente”, vibra Pimentel.