Agência de notícias
Publicado em 3 de abril de 2025 às 19h24.
Após trinta anos, o Rodoanel, planejado para ligar todas as principais rodovias da cidade de São Paulo, pode estar perto de ser concluído. A obra tem como objetivo central desafogar o trânsito da capital paulista, reduzir congestionamentos e retirar o tráfego pesado — caminhões e ônibus — das marginais Tietê e Pinheiros.
A promessa de conclusão, para o ano que vem, foi reiterada nesta quinta-feira, 3, pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no anúncio do “São Paulo pra Toda Obra”, um 'superpacote' de obras rodoviárias que a gestão estadual pretende entregar. O programa de investimento soma mais de R$ 30 bilhões que serão aplicados “na modernização do sistema rodoviário do estado”.
Além da conclusão do trecho Norte do Rodoanel, outras 1,5 mil obras de rodovias estão previstas no pacote.
Iniciado na gestão do governador Mário Covas (PSDB), em 1995, e dividido em quatro partes, o Rodoanel já teve entregues seus trechos Oeste, Sul e Leste. Tarcísio reafirmou nesta quinta-feira que, com um investimento de R$ 3,4 bilhões, o trecho Norte estará pronto em 2026. A entrega encerraria um projeto que atravessou nove gestões estaduais em três décadas e sofreu com uma série de atrasos e paralisações.
A construção do Rodoanel, que deveria ter 176 km, foi iniciada em 1998. Desde então, sua conclusão foi vista como uma vitrine para os gestores estaduais. Covas iniciou a obra do trecho Oeste, de 32 km, que foi inaugurado apenas pelo seu sucessor, Geraldo Alckmin, à época no PSDB, em 2002. Seu vice e sucessor, Cláudio Lembo, do antigo PFL, assumiu a construção do trecho Sul, de 57 km, em 2006. Com dois anos de atraso, a obra atravessou a gestão Lembo, a de José Serra e Alberto Goldman, os dois últimos do PSDB. O trecho ficou pronto em 2011, na segunda gestão de Alckmin.
Alckmin também conseguiu iniciar e concluir o trecho Leste da rodovia, de 43 km. A obra começou em 2011, foi inaugurada parcialmente em 2014 e concluída em 2015. Também na gestão do ex-tucano começou a construção do trecho Norte, o mais problemático do projeto, o mesmo que, jura Tarcísio, finalmente será concluído no ano que vem.
A construção deste último trecho foi iniciada em 2013. Uma série de interrupções e atrasos colocou a obra no colo do seu sucessor, Márcio França (PSB), que assumiu a cadeira em 2018. No mesmo ano, no entanto, a obra foi paralisada por completo. Entre as justificativas para os atrasos estavam questões como o licenciamento ambiental e problemas na execução.
João Doria (PSDB), que assumiu o governo em 2019, chegou a anunciar a retomada das obras, mas o plano foi adiado. Rodrigo Garcia, à época no DEM — e que assumiu quando Doria tentou concorrer à presidência — também tentou tocar o projeto, sem sucesso. A construção do trecho de 44 km só foi retomado no ano passado, já na gestão Tarcísio. Em leilão na B3, a Via Appia Fip Infraestrutura ficou responsável pela conclusão das obras, com a promessa de entregar o parte final do anel viário em 2026.
— Há quanto tempo o pessoal não está esperando pelo Rodoanel Norte? E tem muita gente que pergunta: ‘esse Rodoanel vai sair?’. Está em obra, tem 3 mil pessoas trabalhando. Esse ano a gente vai entregar o primeiro trecho, que é a ligação da Dutra para a Fernão. Está em obra, está avançado, está bombando — afirmou Tarcísio nesta quinta-feira.
Além do trecho do Rodoanel, o governador também destacou no seu 'superpacote' de melhorias o recapeamento do sistema Anhanguera-Bandeirantes e iniciativas em outros 500 municípios, como Piracicaba, Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira Taubaté, Pindamonhangaba e Campos do Jordão.
Entre as obras há iniciativas do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER) e das concessionárias reguladas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). São 1581 obras no total, incluindo as realizadas, as em andamento e as novas, totalizando 22,3 mil km de extensão.
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