Brasil

Líderes do governo se calam diante de denúncias contra Temer

Os líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e no Congresso, André Moura (PSC-SE), não deram entrevistas

Romero Jucá: "Não dá para comentar algo que a gente não sabe o que é" (Adriano Machado/Reuters)

Romero Jucá: "Não dá para comentar algo que a gente não sabe o que é" (Adriano Machado/Reuters)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 19 de maio de 2017 às 19h21.

Brasília - Em meio à maior crise política do governo Michel Temer com a delação de executivos do grupo JBS, as principais lideranças e interlocutores do presidente no Legislativo se calaram.

Até o momento, nenhum dos líderes do governo na Câmara, no Senado ou Congresso Nacional saíram em defesa de Temer, acusado de receber propina e dar aval para compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Os líderes do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), não fizeram nenhum discurso em plenário defendendo Temer.

Também não deram entrevistas e nem atenderam à imprensa por telefone ou por mensagem, quando procurados para falarem sobre a delação premiada de executivos da JBS. Evitam até mesmo circular pelo Congresso.

A única vez que Jucá falou foi na quarta-feira, 17, logo após a divulgação da primeira denúncia contra Temer.

Defendeu que era "prematuro" comentar o assunto e que era preciso investigar.

"Não dá para comentar algo que a gente não sabe o que é, no escuro", disse. Líderes do PMDB, PSDB e DEM, principais partidos aliados, também se calaram ou, quando falaram, adotaram discurso de cautela.

De que é preciso esperar a apuração das denúncias antes de tomarem qualquer decisão.

Vice

A defesa de Temer até o momento foi feita por poucos vice-líderes. O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) foi o único dos 14 vice-líderes do governo na Câmara a defender publicamente o governo Michel Temer.

"O áudio foi tranquilizador para a maioria das lideranças que estavam preocupadas, então o caminho é de recuperação. A base não foi destruída", disse Perondi nesta sexta-feira, um dia após a divulgação da gravação de Temer feita pela JBS.

No PMDB, o líder do partido na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), se calou.

O parlamentar paulista é considerado o deputado mais próximo do presidente da República no Congresso Nacional.

A defesa mais enfática até agora foi feita pelo deputado Carlos Marun (MS), vice-líder do PMDB na Casa.

O peemedebista é o mesmo que seguiu como aliado fiel de Eduardo Cunha até a cassação do político fluminense.

"Pé atrás"

Em discurso no plenário nessa quinta-feira, antes da divulgação da delação da JBS, Marun disse que o empresário Joesley Batista, dono da JBS, tornou-se milionário durante os governos do PT e que, por isso, tinha "um pé atras" em relação a denúncia.

"Em nenhum momento o presidente Temer lhe pediu qualquer favor ou ajuda para qualquer que seja", declarou o peemedebista, que foi presidente da comissão especial que aprovou a reforma da Previdência na Câmara.

No discurso, Marun falou em crise "superdimensionada" e que o governo Temer teve a coragem para propor medidas de recuperação da economia.

"Penso que o Brasil mereceria e merece ver concluído o corajoso mandato do senhor presidente Michel Temer".

Acompanhe tudo sobre:Delação premiadaJBSJoesley BatistaMDB – Movimento Democrático BrasileiroMichel Temer

Mais de Brasil

Dino cobra de 10 estados relatório explicando as razões por trás dos altos indíces de incêndios

STF retoma julgamento sobre ampliação do foro privilegiado; mudança pode impactar casos de Bolsonaro

Banco Central comunica vazamento de dados de 150 chaves Pix cadastradas na Shopee

Poluição do ar em Brasília cresceu 350 vezes durante incêndio