Vacina AstraZeneca. (Eduardo Frazão/Exame)
Gilson Garrett Jr
Publicado em 9 de setembro de 2021 às 19h37.
Última atualização em 9 de setembro de 2021 às 20h11.
Após a prefeitura de São Paulo registrar a falta de segunda dose da vacina AstraZeneca em praticamente todos os 468 postos da cidade, o Ministério da Saúde disse que não deve imunizante ao município, e que novas remessas só estão previstas para o fim de setembro.
"Dados inseridos por São Paulo no LocalizaSUS mostram que o estado utilizou como primeira dose vacinas destinadas a dose 2. O estado aplicou 13,99 milhões de dose 1 e 6,67 milhões de dose 2", afirmou a pasta em uma nota enviada à EXAME.
Ainda de acordo com o governo federal, estados e municípios precisam respeitar o Plano Nacional de Operacionalização. "As alterações nas recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) acarretam na falta de doses para completar o esquema vacinal na população brasileira", diz.
Nos cálculos da prefeitura de São Paulo, são necessárias cerca de 200.000 doses de vacina para concluir o esquema de vacinação.
"A cidade recebeu nesta quinta-feira, do governo do estado, 254.556 doses da vacina Pfizer e 128.510 da Coronavac. Em relação a AstraZeneca, a Secretaria Municipal da Saúde aguarda a entrega pelo Ministério da Saúde", informa uma nota enviada pela prefeitura à EXAME.
No domingo, 5, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que fabrica no Brasil as doses da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, disse que interrompeu por pelo menos dez dias a entrega de vacinas ao PNI.
O atraso ocorre porque, no mês de agosto, a Fiocruz não recebeu a quantidade esperada do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), matéria-prima utilizada para a produção das vacinas. O material vem da China. Segundo a Fiocruz, a distribuição do imunizante deve ser normalizada na semana do dia 13 de setembro.
Mesmo que atrase a segunda dose de vacina, o esquema vacinal não começa do zero, e a primeira dose não é perdida. Renato Kfouri, médico infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que mesmo que o atraso seja grande, a orientação é tomar a segunda dose assim que puder.
“Essa eficácia protetora prometida pelas vacinas nos estudos clínicos só é atingida com duas doses. Nós precisamos de todo o esforço para vacinar mais e também para concluir o esquema. Sem isso, o programa de imunização pode não atingir seu objetivo principal, que é o controle da doença”, diz.
A Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac, é a que tem um intervalo menor de aplicação no Brasil: 28 dias. O imunizante da Fiocruz/AstraZeneca tem um intervalo de três meses.
A vacina da Pfizer/BioNTech no Brasil é aplicada com um intervalo de três meses, assim como em outros países, como o Reino Unido. A bula do imunizante recomenda 21 dias, mas o próprio fabricante diz que um intervalo maior não compromete a imunização (entenda como as vacinas funcionam).
(Com Estadão Conteúdo)