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Depoimento de Yunes sobre Padilha preocupa Temer

Auxiliares do Palácio do Planalto avaliam que semana movimentada nos ministérios teve saldo negativo para o núcleo do governo

Temer se preocupa com futuro da agenda reformista no Congresso, após depoimento de Yunes contra Padilha, um de seus principais aliados no governo (Ueslei Marcelino/Reuters)

Temer se preocupa com futuro da agenda reformista no Congresso, após depoimento de Yunes contra Padilha, um de seus principais aliados no governo (Ueslei Marcelino/Reuters)

Marcelo Ribeiro

Marcelo Ribeiro

Publicado em 27 de fevereiro de 2017 às 14h58.

Última atualização em 27 de fevereiro de 2017 às 22h35.

Brasília - Os agitos da última semana na Esplanada dos Ministérios podem dificultar os planos do presidente Michel Temer (PMDB) de emplacar com placar expressivo a agenda reformista na Câmara dos Deputados e do Senado. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, as acusações de José Yunes, ex-assessor da Presidência da República, contra o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDM-RS), preocupam Temer.

Interlocutores do presidente afirmam que o depoimento de Yunes ao Ministério Publico Federal foi classificado como uma “traição inesperada” pelo núcleo duro do governo Temer. Para eles, o ex-assessor de Temer agiu para não ser atingido pela delação premiada do ex-vice-presidente da Odebrecht Cláudio Melo Filho.

Segundo o executivo da empreiteira, Yunes teria recebido em seu escritório uma parte de um repasse de R$ 10 milhões da Odebrecht ao PMDB durante as eleições de 2014. Yunes, por sua vez, disse ao MPF que atendeu a um pedido de Padilha.

“Foi uma traição, que acabou por colocar em dúvida a postura de Temer e de seus principais aliados. Isso não destruirá os planos do presidente, mas atribuirá dificuldades ao governo para aprovar a agenda reformista com margem”, afirmou um interlocutor do peemedebista a EXAME.com.

O noticiário da Esplanada dos Ministérios na última semana foi classificado como agenda negativa pelo núcleo do governo. Não bastasse o depoimento de Yunes sobre Padilha, a saída repentina de José Serra (PSDB-SP) do Ministérios das Relações Exteriores também pode azedar os planos de Temer para o primeiro semestre. Até julho, o presidente quer aprovar as reformas da Previdência e trabalhista no Congresso.

Ainda que tenha deixado o cargo por motivos de saúde, Serra também estaria irritado com a pouca visibilidade no governo e estaria preocupado com o conteúdo das delações de executivos da Odebrecht, de acordo com interlocutores do tucano.

Um novo escândalo envolvendo outro ministro de Temer poderia colocar em risco o futuro do governo peemedebista. Diante dessa possibilidade, “Serra se antecipou ao vazamento dos depoimentos e deixou a pasta”.

A escolha do novo ministro da Justiça e Segurança Pública Osmar Serraglio (PMDB-PR) deve ter efeitos ambíguos para a gestão peemedebista. A iniciativa de acabar com a indefinição sobre o titular da pasta foi positiva, porém, a escolha de um nome mais político do que técnico reforça a declaração de Padilha sobre as nomeações do governo.

Recentemente, Padilha afirmou que a escolha de Ricardo Barros (PP-PR) para o Ministério da Saúde foi determinada pela necessidade de garantir apoio político. A declaração não foi bem recebida nos corredores do Planalto.

Após o Carnaval, há a expectativa pela divulgação do conteúdo das delações de executivos da Odebrecht. Após dias negativos na Esplanada, o presidente trabalhará para minimizar os efeitos dos depoimentos sobre seu futuro e sua governabilidade, afirmam auxiliares palacianos.

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