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Quem é Nelson Jobim, um dos cotados para sucessão de Temer

De perfil conciliador, Nelson Jobim é sempre lembrado em tempos de crise e já figura entre os cotados em caso de eleições

Nelson Jobim: filiado ao PMDB, partido de Temer, ele foi ministro da Justiça no governo FHC e ocupou a pasta da Defesa nas administrações petistas de Lula e Dilma (Wilson Dias/Agência Brasil)

Nelson Jobim: filiado ao PMDB, partido de Temer, ele foi ministro da Justiça no governo FHC e ocupou a pasta da Defesa nas administrações petistas de Lula e Dilma (Wilson Dias/Agência Brasil)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 24 de maio de 2017 às 13h52.

Última atualização em 24 de maio de 2017 às 14h10.

São Paulo - Citado como um dos nomes para uma eventual sucessão do presidente Michel Temer, o ex-ministro da Justiça e da Defesa Nelson Jobim tem evitado comentar o assunto com seus amigos e interlocutores. Segundo eles, Jobim ainda vê chances de Temer permanecer no cargo e não enxerga uma solução imediata para a crise.

Nesta terça-feira, 23, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), defendeu publicamente Jobim como alternativa. (LEIA: Os cotados para assumir em caso de impeachment de Temer)

A amigos, o ex-ministro tem dito que Temer tem chance de se manter no cargo se tirar o governo da paralisia e fazer com que as reformas trabalhista e da Previdência andem no Congresso.

Também não vê uma solução imediata para a crise mesmo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decida cassar a chapa Dilma-Temer, pois a legislação permite uma infinidade de recursos. Mas acredita que a saída será pela política e não pelo Judiciário, segundo relatos de amigos.

Jobim também tem evitado, no momento, o papel de construtor de uma ponte entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, pois acredita que antes disso é preciso definir uma agenda comum entre os dois.

O motivo para seu nome ser cogitado, segundo quem o conhece, é a facilidade de Jobim para transitar nos mais diversos e relevantes ambientes.

Filiado ao PMDB, partido de Temer, foi ministro da Justiça no governo FHC e ocupou a pasta da Defesa nas administrações petistas de Lula e Dilma.

Na condição de ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Jobim transita bem no Judiciário, criou laços nas Forças Armadas depois da passagem pelo Ministério da Defesa e hoje é integrante do conselho administrativo do Banco BTG Pactual, posto que lhe abriu as portas do mercado financeiro. Além disso, Jobim foi deputado federal por três mandatos.

"Ele é sempre lembrado por ser um conciliador", diz o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), amigo de Jobim mas que discorda da possibilidade de o ex-ministro concorrer em uma eleição indireta. "Numa eleição direta, aí sim, o PMDB poderia indicar o nome dele", completou.

Segundo amigos, Jobim se cala quando o assunto é a possível sucessão de Temer. Alguns deles interpretam o silêncio como sinal de que o ex-ministro está disposto a enfrentar a empreitada, caso a oportunidade caia no seu colo, mas não fará movimentos bruscos.

Amigo de infância e ex-vizinho de calçada em Santa Maria (RS), o também ex-ministro do STF Eros Grau pontua que uma das marcas da atuação de Jobim é a objetividade.

"Além de ser formado em Direito, ele se graduou em Matemática. As frases dele nunca têm mais do que 15 palavras. É extremamente objetivo, seja no que escreve, seja no que faz", disse Eros Grau.

O ex-ministro lembra que, embora tenha perfil conciliador, Jobim sempre manteve autonomia. "É um homem correto e, portanto, independente", disse Eros Grau.

Essa autonomia se expressa, às vezes, de forma polêmica, como quando Jobim admitiu ter votado em José Serra (PSDB) em 2010, embora fosse ministro de Dilma. Alvo de críticas do PT, respondeu durante um aniversário de FHC: "os idiotas perderam a modéstia". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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