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Butantan diz que foi "surpreendido" por decisão da Anvisa sobre CoronaVac

O Instituto Butantan afirmou que está "apurando em detalhes" o que houve para a Anvisa ter suspendido os testas da CoronaVac

Vacina contra covid-19: Anvisa suspende testes da CoronaVac após um efeito adverso grave (Bloomberg / Colaborador/Getty Images)

Vacina contra covid-19: Anvisa suspende testes da CoronaVac após um efeito adverso grave (Bloomberg / Colaborador/Getty Images)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 10 de novembro de 2020 às 06h51.

Última atualização em 10 de novembro de 2020 às 09h34.

O Instituto Butantan disse na noite desta segunda-feira, 9, por meio de nota, ter sido "surpreendido" pela suspensão de estudos da CoronaVac pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), anunciada pouco antes, e que está "apurando em detalhes" o que houve para o órgão oficial ter tomado essa decisão.

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Os estudos clínicos da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac com a participação do Butantan, foram interrompidos após um efeito adverso grave ocorrido no último dia 29, segundo a Anvisa. O órgão, no entanto não deu detalhes sobre o ocorrido. Ainda na nota, o Butantan se coloca "à disposição" da agência reguladora para prestar esclarecimentos e convocou coletiva de imprensa para esta terça-feira, 10, às 11 horas.

O Instituto Butantan, responsável por coordenar o programa de testagem no Brasil e pela futura produção local da vacina, disse em nota ter sido "surpreendido" com a decisão da Anvisa e indicou não ter conhecimento de qualquer evento adverso entre os participantes do estudo.

"O Butantan informa ainda que está à disposição da agência reguladora brasileira para prestar todos os esclarecimentos necessários referentes a qualquer evento adverso que os estudos clínicos podem ter apresentado até momento", acrescentou.

Em entrevista à TV Cultura, emissora pública ligada ao governo do Estado de São Paulo, ao qual o Butantan também é vinculado, o presidente do instituto disse se tratar da morte de um voluntário que não teve relação com a vacina e, portanto, na visão dele, não há justificativa para a paralisação dos testes.

"Primeiro, a Anvisa foi notificada de um óbito, não de um efeito adverso. Isso é um pouco diferente. Nós até estranhamos essa decisão da Anvisa, porque é um óbito não relacionado à vacina. Como são mais de 10 mil voluntários neste momento, podem acontecer óbitos. O sujeito pode ter um acidente de trânsito e morrer", disse Covas.

"Essas questões foram colocadas agora à noite pela Anvisa. Não foi solicitado ainda o esclarecimento. Nós estamos solicitando já, e eu de público solícito aqui, para que amanhã, na primeira hora, sejam fornecidos esses dados, porque na realidade esse óbito não tem relação com a vacina."

Em nota, o governo do Estado de São Paulo, comandado por João Doria (PSDB), afirmou que tomou conhecimento da decisão da Anvisa pela imprensa e disse lamentar que isso tenha ocorrido.

"O governo de São Paulo, através do Instituto Butantan, lamenta ter sido informado pela imprensa e não diretamente pela Anvisa, como normalmente ocorre em procedimentos clínicos desta natureza, sobre a interrupção dos testes da vacina CoronaVac", afirma a nota.

"O Butantan aguarda informações mais detalhadas do corpo clínico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre os reais motivos que determinaram a paralisação."

A notícia vem no mesmo dia em que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que as primeiras 120 mil doses da CoronaVac chegarão ao Aeroporto Internacional de Guarulhos no dia 20. Procurado pelo Broadcast Político, o governo estadual não se pronunciou até a publicação deste texto.

Mais cedo, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que o governo federal só vai comprar e disponibilizar imunizantes aprovados pela Anvisa, e descartou mais uma vez a imunização compulsória.

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