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Bastidores: governo está dividido sobre eventual retaliação aos EUA por 'tarifaço' de Trump

Uma ala defende uma ação enérgica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outro grupo teme que o poder de fogo brasileiro seja reduzido e pouco eficiente nessa disputa comercial

Brasilia - DF - Distrito Federal - Palácio do Planalto (poder Executivo) - bandeira do brasil

Foto: Leandro Fonseca
data: 27/08/2024 (Leandro Fonseca/Exame)

Brasilia - DF - Distrito Federal - Palácio do Planalto (poder Executivo) - bandeira do brasil Foto: Leandro Fonseca data: 27/08/2024 (Leandro Fonseca/Exame)

Antonio Temóteo
Antonio Temóteo

Repórter especial de Macroeconomia

Publicado em 2 de abril de 2025 às 06h01.

O governo brasileiro está dividido sobre a possibilidade de retaliar os Estados Unidos se as medidas que forem anunciadas nesta quarta-feira, 2, sobretaxarem produtos e serviços brasileiros, afirmaram à EXAME técnicos que acompanham as discussões.

Uma ala da gestão governista — mais ideológica e ligada à corrente de esquerda — defende uma ação enérgica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a adoção de reciprocidade tarifária.

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Outra ala governista — mais pragmática — avalia que o poder de fogo do Brasil é reduzido em relação aos norte-americanos e os prejuízos para o país poderiam ser ainda maiores em caso de uma guerra comercial entre as duas nações.

“Nós temos uma granada e eles têm uma bazuca para nos atacar. Não podemos dar um tiro no pé em uma eventual retaliação”, disse um técnico governista que acompanha as discussões sobre o tema.

Como o Brasil poderia retaliar as tarifas de Trump?

Entre as possibilidades de retaliação discutidas estão a elevação de tarifas para produtos importados dos Estados Unidos. Além da sobretaxação, também é debatido o bloqueio de dividendos gerados pela exibição de filmes produzidos em Hollywood e exibidos no Brasil — e até a cassação de patentes de medicamentos não controlados.

Também é considerada a possibilidade de quebra de patentes de sementes, defensivos agrícolas, obras literárias e musicais. As informações foram publicadas pelo O Globo e confirmadas pela EXAME.

Todas essas medidas são debatidas entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ministério da Fazenda, Ministério das Relações Exteriores e pela assessoria especial da Presidência da República.

Uma decisão final será tomada pelo presidente Lula e deve caber ao vice-presidente Geraldo Alckmin comunicar as decisões governistas sobre o tema.

Nesta terça-feira, 1, Alckmin adotou um tom cauteloso e disse que o governo brasileiro esperaria as medidas norte-americanas se concretizarem antes de qualquer reação brasileira.

No Congresso, por sua vez, o plenário do Senado, aprovou nesta terça-feira, 1º de abril, por 70 votos a 0, o projeto de lei que permite ao Brasil responder com sanções comerciais a países que não mantenham uma relação de isonomia econômica.

O texto ganhou força em resposta ao chamado "tarifaço" imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e às possíveis restrições impostas pelo mercado europeu à proteína bovina brasileira e à soja produzida em áreas desmatadas. A proposta segue para a análise da Câmara dos Deputados.

Custo para o Brasil

Um estudo do banco BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) mostrou que as medidas de Trump podem ter um impacto negativo anual para o Brasil entre US$ 3 bilhões e US$ 10 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos após a aplicação das tarifas recíprocas prometidas pelo presidente Donald Trump, aponta .

Trump fará o anúncio das tarifas em um grande evento na Casa Branca, na quarta-feira, 2, às 17h (hora de Brasília). Ele promete agir contra países que cobram tarifas de importação de produtos americanos maiores do que o cobrado pelos EUA ao comprar produtos daquele país.

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