Agência de notícias
Publicado em 26 de março de 2025 às 14h17.
Última atualização em 26 de março de 2025 às 14h24.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) se defendeu nesta quarta-feira após virar réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pela trama golpista. Bolsonaro atribuiu a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) à "criatividade de alguns" e negou ter tentado reverter os resultados das eleições de 2022.
“Vivemos momento de intranquilidade por causa da criatividade de alguns”, disse o ex-presidente. “A acusação é grave e infundada”.
Bolsonaro citou o atual ministro da Defesa, José Múcio, para sustentar que o "quebra-quebra" do 8 de janeiro não foi uma tentativa de golpe.
— "As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas. Mas os nossos métodos não podem ser o da esquerda, como invasão de propriedade."
Bolsonaro e outras sete pessoas viraram réus por uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O julgamento no STF, que aceitou a denúncia por 5 a 0, terminou na tarde desta quarta-feira.
O ex-presidente desistiu de ir ao STF nesta quarta-feira para assistir ao julgamento da Primeira Turma da denúncia apresentada pela PGR contra ele e sete aliados. Em vez disso, ele acompanhou a sessão a partir do gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Congresso.
Bolsonaro chegou ao Senado pouco antes do início da sessão e recebeu a visita da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo aliados, Bolsonaro pode passar o dia no Congresso e fazer uma declaração aos jornalistas após o término da sessão.
O advogado Celso Vilardi, que representa Jair Bolsonaro, afirmou ao STF que a acusação da PGR se baseia apenas na delação do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, e que não há provas ligando Bolsonaro aos atos de 8 de janeiro.
— "O [ex] presidente Bolsonaro é o presidente mais investigado da história do país. Não se achou absolutamente nada”, disse Vilardi.
O defensor argumentou que a denúncia está baseada exclusivamente na minuta de golpe e em pronunciamentos de Bolsonaro, sem evidências concretas de "grave ameaça" ou violência.
Na manhã desta terça-feira, Bolsonaro enviou uma mensagem aos seus aliados, negando a participação em qualquer plano golpista relacionado aos eventos de 8 de janeiro. Na mensagem, o ex-presidente afirmou confiar na Justiça e indicou que o julgamento visava impedi-lo de disputar as eleições de 2026.
“Me acusam de um crime que jamais cometi – uma suposta tentativa de golpe de Estado,” disse Bolsonaro, destacando que nunca houve uma ruptura democrática e que sempre agiu dentro dos limites da Constituição.
Bolsonaro também ressaltou que estava fora do Brasil no dia dos eventos de janeiro e que sua candidatura em 2026 seria vitoriosa.
“Sabem que se eu disputar a eleição presidencial de 2026 serei vitorioso e colocarei, novamente, o Brasil no rumo certo.”