Navio cargueiro: setor busca meios para reduzir emissão de poluentes (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 28 de agosto de 2025 às 15h55.
Última atualização em 28 de agosto de 2025 às 18h46.
OSLO, NORUEGA* — O etanol brasileiro, seja de cana-de-açúcar ou de milho, entrou na rota da frota mercante da Noruega, a quarta maior do mundo, com 1.577 navios. Somando barcos de pesca, lazer e outros tipos, o total chega a 21.239, segundo o governo local.
O Brasil tem feito ações para promover seu etanol na Noruega. Rodrigo Azeredo, embaixador do Brasil em Oslo, conta que haverá a realização de um seminário na embaixada do Brasil, em 1º de outubro. O objetivo é apresentar aos operadores marítimos os biocombustíveis nacionais como alternativa para ajudar a Noruega a atingir suas metas de descarbonização.
Para o embaixador, o combustível sustentável para navegação é uma demanda crescente, especialmente da Associação Norueguesa de Armadores (NSA), que busca cumprir as ambiciosas metas de redução de CO₂ estabelecidas pelo governo norueguês.
"Eles querem saber sobre metanol, etanol e estão explorando outras soluções. O Brasil tem tecnologia e pode suprir essa demanda”, afirma.
O Brasil é um dos maiores produtores de etanol do mundo, com uma produção anual de 36 bilhões de litros — 72% provenientes da cana-de-açúcar e 28% do milho.
Na avaliação do embaixador, a posição do Brasil na produção de etanol faz do país um dos principais fornecedores do combustível para a frota norueguesa.
O etanol de milho, por exemplo, se apresenta como uma solução viável, especialmente após a recente aprovação pela Organização Internacional de Aviação Civil (OACI) do uso de milho de segunda safra para fazer o combustível.
A expectativa é que este biocombustível também seja reconhecido e adotado pela Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) para a navegação.
"A Noruega já está em negociações com empresas de navegação, algumas das quais já encomendaram navios movidos a etanol e amônia, buscando alternativas para cumprir suas metas ambientais”, diz Azeredo.
Como parte do esforço de aproximação com os transportadores noruegueses, um navio-escola da Marinha brasileira fará uma viagem à Noruega. Será a primeira viagem do navio descarbonizado, que compensou suas emissões em parceria com uma empresa brasileira.
"Estamos convidando empresas como Petrobras, Raízen e outras para participar e discutir essas possibilidades, junto a armadores, grandes empresas do setor e a Câmara de Comércio Brasil-Noruega”, diz o embaixador.
Segundo Azeredo, as discussões sobre o etanol brasileiro como um dos caminhos para a Noruega descarbonizar sua frota ocorre em um momento oportuno para o Brasil. Em setembro, o acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, deve ser assinado no Brasil.
"O acordo nos coloca em uma posição diferente. Já contamos com um sólido arcabouço bilateral de memorandos e acordos, que inclui, além do Mercosul-EFTA, instrumentos para estimular investimentos", diz o embaixador.
Em julho, o Mercosul e a EFTA anunciaram a conclusão das negociações para a assinatura do acordo.
Para os produtos brasileiros, o acesso em livre comércio aos mercados da EFTA incluirá quase 99% do valor exportado, abrangendo os setores agrícola e industrial. Em 2024, o Brasil exportou US$ 3,1 bilhões e importou US$ 4,1 bilhões em bens da EFTA.
Com a medida, a EFTA eliminará 100% das tarifas de importação nos setores industrial e pesqueiro assim que o acordo entrar em vigor.
“O etanol, assim como outros produtos do agronegócio, tem grande potencial para expandir sua exportação para os países da EFTA”, diz o embaixador.
Segundo ele, o acordo traz benefícios mútuos: permite à Noruega diversificar sua cesta de importações e ao Brasil ampliar mercados para produtos estratégicos. "Defender a cooperação multilateral está no núcleo dos interesses do Brasil e da Noruega", afirma.
*O repórter viajou a convite da Innovation Norway e da Yara Fertilizantes.