Negócios

Indicação de Ferreira deixa Agnelli sem aliado na Vale

O novo presidente da empresa é um dos desafetos do gestor que sofreu pressão do governo para deixar a empresa

Ferreira discordou de Agnelli quando ele insistiu na aquisição da Xstrata para a Vale (Mauricio Lima/AFP Photo)

Ferreira discordou de Agnelli quando ele insistiu na aquisição da Xstrata para a Vale (Mauricio Lima/AFP Photo)

DR

Da Redação

Publicado em 6 de abril de 2011 às 09h36.

São Paulo - Roger Agnelli sofreu uma dupla derrota no processo que culminou com sua substituição na presidência da Vale: foi obrigado a se render na campanha para permanecer no comando da mineradora e não conseguiu fazer de um de seus aliados o sucessor.

Ao contrário, Murilo Ferreira, que assume oficialmente a presidência a partir de 22 de maio, iniciou a gestão Agnelli como um de seus homens de confiança e deixou a Vale como mais um desafeto, depois de um período de desgaste com o executivo, de quem discordou radicalmente da decisão de insistir na aquisição da Xstrata.

A compra da mineradora anglo-suíça - que passou a ser tratada por Agnelli quase como uma questão pessoal - acabou não ocorrendo. A Vale se livrou do que seria um péssimo negócio às vésperas da crise global que estourou em agosto de 2008, mas o vínculo entre os dois executivos já havia se desfeito.

Depois de um infarto, Ferreira decidiu seguir carreira profissional fora da mineradora e aliou-se a Gabriel Stoliar - outro executivo que deixou a Vale com a relação estremecida com Agnelli - na criação da gestora de recursos Studio Investimentos, de onde saiu recentemente.

A indicação de Ferreira, formalizada pela Vale na noite de segunda-feira, foi tratada com sigilo rigoroso mesmo no principal fórum de decisão da empresa. Apenas quatro dos 11 membros do Conselho de Administração participavam da negociação para trazer o executivo de volta.

O grupo era formado por um representante de cada acionista: Luciano Coutinho, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Oscar Camargo, pela Mitsui; Mário da Silveira Teixeira Junior, pela Bradespar, e Ricardo Flores, pela Previ.

Ferreira, acreditam, é um nome que atende aos interesses do governo sem assustar o mercado. Aos 58 anos e com mais de 30 de experiência em mineração, ele exerceu a diretoria executiva de Participações e Novos Negócios na Vale, cargo que acumulou com a presidência da Inco, que ocupava quando se afastou da empresa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Acompanhe tudo sobre:EmpresasEmpresas abertasEmpresas brasileirasSiderúrgicasValeMineraçãoExecutivosExecutivos brasileirosMurilo FerreiraRoger Agnelli

Mais de Negócios

Milhares de pacotes com camarão são recolhidos de supermercados nos EUA por risco de contaminação

Últimos dias para se inscrever no Prêmio Melhores dos Negócios Internacionais 2025

Startups estão fracassando por excesso de investimento, mostra pesquisa de Harvard

CEO da Nvidia chega a fortuna de US$ 142 bilhões e ameaça posição de Warren Buffett