Danniel Pinheiro, fundador da Biozer da Amazônia: manauara cresceu com um pai cientista e fascinado pela região
Repórter
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 09h59.
Última atualização em 29 de agosto de 2025 às 11h28.
Quando Danniel Pinheiro pegou as chaves do galpão onde a primeira fábrica da Biozer seria montada, em 2016, o entusiasmo logo deu lugar à frustração. O que deveria ser o primeiro passo para tirar do papel o sonho do pai, um renomado cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, virou um golpe.
O local estava vazio – o antigo proprietário havia levado portas, janelas, divisórias... e, como se não bastasse, um cano estourou no mês seguinte, inundando o galpão com meio metro de água. “A sensação foi de total desamparo”, lembra Pinheiro.
Mas ele não desistiu. Com a ajuda do sócio Amaral Neto, o manauara começou do zero. Pintaram o galpão, compraram equipamentos e decidiram apostar numa linha de cosméticos. Não era só sobre vender produtos: era sobre contar a história da Amazônia para o mundo, com ingredientes locais e um respeito profundo pela biodiversidade.
A ideia da Biozer começou em 2008, mas foi em 2016 que a empresa começou a dar passos firmes para se tornar um negócio de impacto. O pai de Danniel, o Dr. Carlos Clomir, era um cientista apaixonado pela Amazônia e suas riquezas naturais.
Após décadas de pesquisa no Inpa, ele criou a base científica que sustentaria o negócio. Mas foi a visão empreendedora de Pinheiro e a experiência industrial de Amaral Neto que fizeram a Biozer alçar voo.
A Biozer alcançou R$ 2,3 milhões em receita em 2024, contra R$ 1,9 milhões no ano anterior. Isso levou a empresa a conquistar o 67° lugar na categoria de 2 a 5 milhões de reais no ranking EXAME Negócios em Expansão 2025.
Hoje, a Biozer é mais do que uma fabricante de cosméticos. Com a marca Simbiose Amazônica, já exporta para cinco países ativos amazônicos como cupuaçu, açaí e guaraná. Além de itens para pele, tem também velas e sprays aromáticos.
A marca também cresce na vertical de B2B, fabricando produtos para ao menos dez marcas, como a linha de produtos da atriz Glória Pires e a Bemol.
"A colaboração com outras marcas tem sido um marco para nós", diz Pinheiro. "Ela permite que ampliemos nossa cadeia produtiva e impactemos mais diretamente as comunidades extrativistas da Amazônia."
Agora, a Biozer planeja expandir a atuação internacional e diversificar o portfólio. Nos próximos cinco anos, quer apostar no setor farmacêutico e desenvolver, por exemplo, antissépticos.
Para Pinheiro, a verdadeira missão da Biozer vai além dos números: é transformar a Amazônia, não apenas em um fornecedor de matéria-prima, mas em um centro de inovação, capaz de gerar produtos que respeitam a natureza e têm valor agregado. A empresa está desenvolvendo uma miniusina para ser doada a uma comunidade, que produzirá óleo de abacaxi e terá a Biozer como uma das clientes.
"Eu sou um manauara, e sinto que tenho o dever de levar a Amazônia para um novo patamar, de forma sustentável e inovadora", diz o empreendedor.
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024. A análise considerou negócios com faturamento anual entre 2 milhões e 600 milhões de reais.
São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros. Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.