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Geórgia relembra dez anos da "guerra relâmpago" contra Rússia

As tensões em 2008 criaram uma guerra que deixou mais de 800 mortos, 1.700 feridos e 120.000 deslocados no país

Rússia e Geógia se opõe sobre as ambições da ex-república soviética do Cáucaso de aderir à União Europeia (David Mdzinarishvili/Reuters)

Rússia e Geógia se opõe sobre as ambições da ex-república soviética do Cáucaso de aderir à União Europeia (David Mdzinarishvili/Reuters)

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AFP

Publicado em 8 de agosto de 2018 às 12h03.

A Geórgia marca nesta quarta-feira (8) o décimo aniversário da "guerra relâmpago" contra a Rússia, que levou ao reconhecimento - por parte de Moscou - da independência de dois territórios separatistas sob domínio russo, então denunciado pelo Ocidente como uma "ocupação".

As bandeiras georgianas foram hasteadas a meio pau, neste dia em que o pequeno país do Cáucaso do sul presta uma homenagem às vítimas desse conflito que deixou mais de 800 mortos, 1.700 feridos e 120.000 deslocados.

Pela manhã, em Tbilisi, o presidente georgiano, Guiorgui Margvelachvili, depositou uma coroa de flores para honrar os soldados caídos no combate contra o Exército russo.

"Enquanto nos lembramos da guerra hoje, vemos que a reunificação do nosso país não está longe", afirmou.

À noite, Margvelachvili deve se dirigir às tropas na base militar de Senaki, destruída e pilhada pelas forças russas durante essa guerra, qualificada por ele ontem como "agressão" e "ocupação" russa.

Moscou e Tbilisi se opõem de longa data sobre as ambições dessa pequena ex-república soviética do Cáucaso de aderir à União Europeia (UE) e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma possibilidade considerada pela Rússia como uma invasão perigosa em sua zona de influência.

Durante o verão de 2008, essas tensões desembocaram em uma guerra relâmpago. O Exército russo interveio depois de as forças georgianas terem iniciado uma sangrenta operação militar na Ossétia do Sul, um território separatista pró-russo.

Em apenas cinco dias, as forças de Moscou derrotaram o Exército georgiano e ameaçaram tomar a capital, Tbilisi.

Após as gestões diplomáticas do então presidente francês, Nicolas Sarkozy, as partes envolvidas assinaram um acordo de paz que permitiu a retirada das tropas russas. Moscou continua reconhecendo, porém, a independência das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, onde mantém um importante contingente militar.

Ossétia do Sul e Abkházia, que representam 20% do território georgiano, já haviam proclamado sua independência e a haviam defendido em uma guerra com Tbilisi no início dos anos 1990.

Apoio de Washington

Em entrevista ao jornal russo "Kommersant" na terça-feira, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, que em 2008 era presidente, defendeu que o reconhecimento de Moscou desses territórios foi "a única medida possível" para "manter a paz e a estabilidade no sul do Cáucaso".

As potências ocidentais denunciaram, porém, o que a Geórgia classifica como "ocupação" russa da Ossétia do Sul e da Abkházia.

Em conversa por telefone com o presidente georgiano, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, lembrou que "os Estados Unidos nunca aceitarão a ocupação desses territórios georgianos", segundo um comunicado de Tbilisi.

Washington também confirmou "seu apoio profundo à soberania e à integridade territorial da Geórgia" e prometeu ajudar o governo georgiano "diante dos desafios que este país enfrenta dez anos depois da agressão militar russa".

Na terça, a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, também lamentou "a presença militar russa na Abkházia e na Ossétia do Sul", chamando-a de "violação do Direito Internacional".

Nessa mesma linha, a diplomacia francesa já havia condenado a "inaceitável" militarização desses dois territórios separatistas.

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