Buffett: 'nunca desejei criar uma dinastia ou buscar qualquer plano que se estendesse além dos filhos' (Daniel Zuchnik / Colaborador/Getty Images)
Agência de Notícias
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 10h56.
O guru dos investimentos Warren Buffett completa neste sábado 95 anos e encara uma merecida aposentadoria, embora parcial, após anunciar que deixará a direção executiva do conglomerado Berkshire Hathaway e reduzirá sua carga de trabalho depois de seis décadas no comando.
Buffett, um dos homens mais ricos do mundo e exemplo do sucesso americano, nasceu em uma família numerosa em 1930 em Omaha, a cidade mais populosa do estado de Nebraska, e começou a trabalhar enquanto ainda estava na escola, desenvolvendo a precoce ambição que marcaria sua trajetória.
Embora sua história não seja de ascensão social, já que sua família era de classe média alta, sua ascensão no mundo corporativo americano fez com que se destacasse por seu caráter empreendedor, humilde, frugal e distante das excentricidades típicas do "um por cento" (os ricos entre os ricos), que sempre criticou.
‘Bull market é igual sexo’: As 10 lições mais espirituosas de Warren BuffettGrande parte de sua carreira foi compartilhada com seu amigo e sócio Charlie Munger, com quem comprou em 1965 uma empresa têxtil em declínio chamada Berkshire Hathaway, que ambos acabaram transformando em um império de mais de 1 trilhão de dólares, mantendo o comando até já estarem na casa dos 90 anos.
Não foi até o falecimento de Munger no final de 2023, aos 99 anos, que Buffett começou a refletir sobre o futuro da empresa; em uma carta posterior, reconheceu que sua morte estava mais perto do que longe e revelou que estava considerando "sucessores" mais jovens do que seus próprios filhos.
"Nunca desejei criar uma dinastia ou buscar qualquer plano que se estendesse além dos filhos", afirmou Buffett, que delegou a um de seus três filhos, Howard, a tarefa de doar sua fortuna para causas filantrópicas e preservar sua cultura empresarial quando ele não estiver mais lá.
A notícia foi dada de surpresa em maio, na reunião anual de investidores da Berkshire Hathaway, chamada de "o Woodstock dos capitalistas", evento no qual Buffett e Munger protagonizavam sessões de perguntas e respostas seguidas como aulas magistrais até pela internet.
Buffett, em seu segundo evento sem Munger, anunciou que pediria à diretoria para nomear o canadense Greg Abel, de 62 anos, então o principal executivo da unidade de energia da empresa, como seu sucessor. Abel tem uma trajetória interna meteórica de mais de duas décadas.
O magnata não vai parar completamente, pois continuará como presidente do conselho, pelo menos até a transição de poder, prevista para o início de 2026, e, como disse ao The Wall Street Journal, não sonha em "ficar em casa e assistir novelas", mas seguir com sua paixão.
E Buffett, através de seu conglomerado e suas investigações, que muitos observam de perto, encarna a filosofia da "investimento de valor", defendida pelo economista Benjamin Graham, para quem trabalhou quando jovem, e que, em essência, é uma aposta no que é duradouro.