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O que esperar da possível entrada do Mercado Livre em farmácias

Com a aquisição de um ponto físico, a gigante do e-commerce conseguiria comercializar medicamentos com prescrição médica; modelo poderia ser replicado em mercado altamente pulverizado

Mercado Livre confirmou 'possível' aquisição de empresa de medicamentos (Imagem gerada por inteligência artificial)

Mercado Livre confirmou 'possível' aquisição de empresa de medicamentos (Imagem gerada por inteligência artificial)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Repórter de negócios e finanças

Publicado em 30 de agosto de 2025 às 10h52.

O Mercado Livre teria fechado a compra de uma farmácia na zona sul de São Paulo, entrando em um segmento para o qual tem olhado já faz um tempo, apurou o jornal O Globo. A plataforma de e-commerce, segundo a publicação, estuda maneiras de vender remédios online sem prescrição e a compra da farmácia teria sido feita pela subsidiária Kangu, adquirida pelo Meli em 2021.

Em nota, a companhia confirmou a possível aquisição de uma "uma empresa que comercializa medicamentos" e disse que irá compartilhar mais informações a respeito em um "momento oportuno".

Coincidência ou não, as ações de RD Saúde (ex-Raia Drogasil), que tem subido no conceito dos analistas de ações ultimamente, principalmente após a divulgação de seu último balanço, levou um tombo de 6% no dia em que a notícia foi divulgado. E já surgem análises de impactos da entrada do Mercado Livre no setor farmacêutico.

Compra sem restrições

A XP avalia que a estratégia da companhia, se for de fato a descrita na reportagem, é uma "maneira inteligente de contornar obstáculos regulatórios". O negócio seria aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), já que Meli não atua no segmento, que segue bastante fragmentado.

Ter um ponto físico é necessário para a venda de medicamentos controlados, de acordo com a regulamentação brasileira e, para a XP, a estrutura serviria como um "mini" centro de distribuição para o Mercado Livre.

A venda de medicamentos online só pode ser feita a partir de uma farmácia licenciada e um farmacêutico deve estar disponível no momento da venda - no caso do Meli, isso significaria cobertura 24 horas por dia, aponta a XP.

"A empresa poderia usar essa farmácia como um projeto piloto e, em seguida, adquirir lojas estrategicamente localizadas em todo o país para expandir a categoria", diz o relatório.

De olho em farmácias independentes

A XP acredita que o Mercado Livre não vai ter dificuldades em encontrar farmácias para adquirir, especialmente as independentes, em um momento de juros altos.

Além disso, tem a crescente concorrência em medicamentos com prescrição médica e produtos de higiene pessoal (HPC), enquanto varejistas com esse perfil tem acesso limitado ou inexistente aos medicamos GLP-1, as canetas emagrecedoras.

Os analistas tomam como base a operação da Amazon nos Estados Unidos, ainda que a comparação seja limitada, já que a estrutura de saúde do país americano é diferente da do Brasil. A Amazon realiza entregas no mesmo dia de medicamentos em outo cidades, com pretensão de expandir para 20 até o final deste ano.

Ameaça aos 'players' do setor?

"Em nossa opinião, a mudança seria positiva para o Meli, abrindo um mercado grande e de alta recorrência [mais de R$ 200 bilhões, incluindo HPC]", afirmam os analistas da XP.

É uma má notícia, contudo, para as empresas farmacêuticas, dado que o Mercado Livre poderia causar "uma mudança na categoria, assim que construísse uma rede capilar".

"Dito isso, acreditamos que as farmácias tradicionais ainda mantêm uma vantagem competitiva na entrega ultrarrápida, enquanto as lojas físicas continuam a oferecer uma proposta valiosa por meio de um atendimento personalizado e uma experiência diferenciada ao usuário", conclui o relatório.

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