Emilie Langrené: diretora da Fundação Decathlon
Repórter
Publicado em 30 de agosto de 2025 às 11h50.
Última atualização em 30 de agosto de 2025 às 11h53.
Em 2016, a francesa Emilie Langrené desembarcou no Brasil com uma mochila leve, mas uma bagagem carregada de experiências de vida, trilhas em diferentes países e uma convicção: o esporte pode transformar realidades. Hoje, nove anos depois, ela lidera a Fundação Decathlon no país, braço social da multinacional.
A entidade nasceu em 2005, na França, com a missão de ampliar o acesso ao esporte para além da barreira econômica. Não se trata apenas de oferecer produtos acessíveis, mas também de enfrentar obstáculos sociais e culturais: de mulheres impedidas de praticar atividades físicas em alguns países a pessoas com deficiência sem espaços adequados para se exercitar. “A fundação existe para que ninguém fique invisível”, diz Emilie, citando o que considera a essência do trabalho: apoiar ONGs e comunidades em projetos de longo prazo, capazes de criar impacto sustentável.
Essa perspectiva de permanência é central. Em vez de patrocinar eventos pontuais, a Fundação Decathlon investe em infraestruturas e iniciativas que durem. Um dos exemplos é a reforma de um ginásio no Caju, no Rio de Janeiro, que, desde o final dos anos 2000, já recebeu milhares de crianças e adolescentes em atividades esportivas.
“Quando apoiamos a construção ou reforma de um espaço, sabemos que ele será usado por muitos anos, multiplicando o alcance e fortalecendo vínculos com a comunidade”, afirma Emilie.
O engajamento, no entanto, não se restringe a cheques ou obras. Um traço particular da fundação é o envolvimento direto dos colaboradores da Decathlon. Cada projeto apoiado nasce da iniciativa de funcionários que se aproximam de ONGs, compartilham valores e levam as propostas para aprovação do comitê da fundação. Isso gera histórias de longo prazo, como a de jovens que começaram em projetos apoiados e depois ingressaram como aprendizes ou funcionários da rede de lojas.
A mobilização se torna evidente em iniciativas como o Decathlon Foundation Day, evento que neste ano ocorreu em 11 estados e reuniu mais de 35 organizações sociais. A programação incluiu futebol, basquete, vôlei, badminton, tênis de mesa e outras modalidades, adaptadas para diferentes públicos — de crianças a idosos, passando por pessoas com deficiência, síndromes e TEA. Em 2025, o evento realizado em 28 de agosto, impactou mais de 1.600 beneficiários em 40 unidades da marca, com a participação de centenas de voluntários.
Para Emilie, é uma síntese da filosofia da fundação: unir vitalidade, responsabilidade, autenticidade e generosidade. “É um dia para viver as maravilhas do esporte e compartilhar nossos valores. Celebramos o esporte, mas também um trabalho contínuo, diário, que conecta ONGs já apoiadas e novas organizações indicadas pelos próprios colaboradores”, afirma.
A relação pessoal de Emilie com o esporte ajuda a explicar seu entusiasmo. Montanhista, já percorreu trilhas da Capadócia até na Chapada Diamantina. No dia a dia, gosta de praticar diferentes atividades, sempre incentivada pela cultura esportiva da própria empresa. “Quando nos reunimos em equipe, o esporte faz parte. Recentemente, organizamos um team building de escalada — era a primeira vez de muitos. Foi transformador”, conta.
Essa vivência também alimenta seu olhar para o Brasil. Ao longo dos últimos anos, Emilie diz ter visto a relação dos brasileiros com o esporte se expandir — das corridas em parques urbanos à busca por bem-estar e saúde mental. A pandemia, avalia, acelerou essa transformação.
“Muitas pessoas descobriram o esporte como ferramenta de equilíbrio e isso se refletiu em várias modalidades, do pilates às caminhadas”, diz.
No balanço global, a Fundação Decathlon já impactou mais de 1 milhão de pessoas em 20 anos, por meio de centenas de projetos apoiados em diferentes países. No Brasil, a missão segue sendo descentralizar iniciativas para além do eixo Rio–São Paulo, alcançando estados como Bahia, Ceará e Minas Gerais.
A fundação, diz ela, é um espaço de generosidade genuína — e também de visão de futuro. “Sempre pensamos na longevidade dos projetos. Não é apenas esporte por esporte. É esporte como ferramenta de inclusão, de empregabilidade, de bem-estar e de pertencimento”.