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Lula defende julgamento da trama golpista pelo STF e critica Trump

Presidente reiterou que líder americano seria julgado pela Justiça caso a invasão do Capitólio tivesse sido no Brasil

Agência o Globo
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Publicado em 28 de agosto de 2025 às 19h21.

Última atualização em 28 de agosto de 2025 às 22h01.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta quinta-feira, o julgamento do núcleo central de reús da ação penal da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) e reiterou que, caso o ataque ao Capitólio americano de janeiro de 2021 tivesse ocorrido no Brasil, o presidente americano Donald Trump seria réu na Justiça brasileira.

Lula discursou durante a cerimônia de posse de nomeados do governo para 13 agências reguladoras e autarquias, no Palácio do Planalto.

— Esse julgamento vai se dar com base nos atos apurados, porque a quadrilha desmanchou e todo mundo sabe o que aconteceu: quem é que delatou, que acusou. Todo mundo sabe o que aconteceu de 8 de janeiro, todo mundo sabe da bomba no aeroporto (de Brasília, em dezembro de 2024), todo mundo sabe do documento incentivando a minha morte, a do Alckmin, a do Alexandre de Moraes, todo o mundo sabe disso. É isso que vai ser julgado — ressaltou o presidente.

Lula faz referência ao chamado plano Punhal Verde e Amarelo, que planejava a morte dos então presidente e vice-presidente eleitos e do ministro Moraes. Menciona, ainda, a tentativa de explosão de um caminhão-tanque nos arredores do Aeroporto Internacional de Brasília por apoiadores de Jair Bolsonaro, em 24 de dezembro de 2022.

— Eu disse ao presidente Trump, numa resposta a ele, que se tivesse acontecido no Brasil o que aconteceu no Capitólio, ele também estaria sendo julgado aqui. Porque nós não somos tão grandes, não somos tão ricos, não temos tantas armas, tanto dinheiro, mas aprendemos que somos um povo orgulhoso, e quem manda no Brasil é o povo brasileiro e mais ninguém — disse Lula.

O presidente também voltou a dizer que está aberto a negociações comerciais com os Estados Unidos para dar fim ao tarifaço de 50% imposto pelo governo Trump a exportações brasileiras aos EUA, mas reclamou que os negociadores "não conseguiram falar com ninguém".

— A hora que eles quiserem negociar, o Lulinha 'paz e amor' está de volta. Não tem erro. Eu tenho o Alckmin (vice-presidente), o Haddad (ministro da Fazenda), o Mauro Vieira (ministro das Relações Exteriores), são meus negociadores. Até agora, a gente não conseguiu falar com ninguém nos Estados Unidos. Nem o Mauro conseguiu falar, nem o Alckmin. E o Haddad estava com uma reunião com o secretário de tesouro, que suspendeu a reunião e foi se reunir com o deputado Eduardo Bolsonaro. É uma demonstração da falta de seriedade nessa relação com o Brasil — afirmou.

Lula reafirmou ainda que o Brasil defende o multilateralismo nas relações internacionais.

— Que o acordo (do Brasil com os EUA) não se dê de forma leonina, de um país grande contra um país pequeno. Na hora em que os Estados Unidos fogem do multilateralismo e tentam negociar individualmente com cada país, o que eles estão permitindo? Que um país, uma ilha de 300 habitantes que quiser negociar, tenha que sentar com o governo americano, a chance dela é nenhuma. Por isso que o multilateralismo estabeleceu essa convivência muito boa depois da Segunda Guerra Mundial — disse Lula.

O presidente também voltou a dizer que "não existe uma única razão, um único motivo", para que Trump tenha aumentado a taxação dos produtos brasileiros.

Tomaram posse nesta quinta-feira os diretores e presidentes das agências de Aviação Civil (Anac), Águas (ANA), Transportes Terrestres (ANTT), Saúde Suplementar (ANS), Petróleo (ANP), Vigilância Sanitária (Anvisa), Energia Elétrica (Aneel), Transportes Aquaviários (Antaq), Mineração (ANM) e Proteção de Dados (ANPD). As nomeações foram retidas por meses pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas foram destravadas a partir de julho. Alcolumbre estava na plateia.

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