Repórter
Publicado em 29 de agosto de 2025 às 21h09.
Última atualização em 29 de agosto de 2025 às 21h12.
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) disse que recebeu um pedido formal do Ministério das Relações Exteriores para iniciar o processo de aplicação de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos. O Itamaraty confirmou à EXAME a informação. A solicitação é uma resposta à tarifa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. O presidente Lula autorizou a abertura de processo nesta quinta-feira.
Segundo nota divulgada pela Camex, o pedido foi encaminhado ao Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), responsável por avaliar se o caso se enquadra nas condições previstas pela recém-aprovada Lei de Reciprocidade Econômica. Caso o processo seja admitido, o Gecex poderá instituir um Grupo de Trabalho para elaborar uma proposta de ações retaliatórias, que será submetida à consulta pública antes de ser encaminhada ao Conselho Estratégico da Camex (CEC) para deliberação final.
O Itamaraty informou que o processo pode levar até sete meses e inclui etapas de consulta ao governo norte-americano, além de garantir o direito ao contraditório. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva justificou a iniciativa alegando que os ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) não têm sido ouvidos por Washington.
A Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em julho, autoriza o Brasil a adotar medidas tarifárias e não tarifárias contra países que imponham barreiras às exportações nacionais.
Entidades empresariais como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) pediram cautela ao governo. Representantes das duas instituições devem viajar aos Estados Unidos na próxima semana para dialogar com autoridades locais e buscar alternativas diplomáticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou nesta quinta-feira, 28, a abertura do processo para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em reação ao tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros que foi anunciado em julho pelo presidente Donald Trump.
Segundo fontes diplomáticas disseram à EXAME, o Itamaraty enviou o processo à Câmara de Comércio Exterior (Camex), a partir da decisão da presidência da República.
A partir disso, a Camex terá 30 dias para elaborar uma espécie de exame de admissibilidade sobre o processo. Se for aceito, em seguida, será criado um grupo de trabalho. Os Estados Unidos terão possibilidade de participar do processo e se defender sobre os pontos que serão abordados.
Sancionada em abril, a Lei da Reciprocidade permite ao Brasil reagir a medidas unilaterais de outros países que afetem sua competitividade internacional.
Entre as contramedidas possíveis estão tarifas sobre importações, suspensão de concessões comerciais e investimentos e restrições sobre propriedade intelectual.
O decreto presidencial que regulamentou a Lei da Reciprocidade prevê a possibilidade de adoção de contramedidas provisórias, que terão caráter de excepcionalidade e rito mais célere.
Essas propostas devem ser apresentadas à secretaria-executiva do comitê, que pedirá avaliações aos demais integrantes do colegiado. Também podem ser ouvidos executivos do setor privado e outros órgãos federais antes de submeter o pedido à deliberação.
Caso aprove a adoção de medidas retaliatórias provisórias, caberá ao próprio colegiado encaminhar os procedimentos necessários à sua aplicação.
As contramedidas excepcionais e provisórias poderão ser aplicadas em resposta a atos de países ou blocos que: